quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Sobre ser vaca

E se as vacas pudessem falar ao invés de mugir? O que falariam para nós? Me comam? Não me comam? Qual a diferença entre as vacas indianas e as doresto do mundo? Penso nas vacas todos os dias. Talvez seja uma obsessão. Uma vontade de ser animal. Como seria? Eu passaria fome, sede, frio, calor? Eu ser maltratada? Teria um teto nos dias de tempestade? Um refresco no verão escaldante? E nas noites frias, onde estaria meu cobertor? Hoje esqueci de ser Patrícia. penso que sou uma vaca e como viveria. Se a vida teria sentido ou instinto. Se teria desejos ou impulsos. O que é a vida de uma vaca? Boa pergunta sem reposta. Vou procurar uma e tentar um mugido ensaiado. Quem sabe...

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Alhos na terra: bugalhos

Coloque um dente de alho debaixo da terra e acompanhe sua evolução diariamente. A formação da raiz, o caminho que faz pela terra, os ares e águas que consome, a vida subterrânea que existe sem ver nossos olhos. Alhos. Que poderiam ser mais que meros pedaços de especiaria largados em solo. Poderiam ser nobreza em prato requintado ou feijão com arroz no dia-a-dia. Alhos. Apenas isto. Atalhos talvez. Galhos de uma árvore distinta e perdida entre o asfalto da cidade. Vagos apelos para prender a sua atenção. Mas é somente alho. Nem coalho, muito menos caralho. Odeio palavrões. Vagam largados pela rua. E os alhos nascem. Silenciosamente. Sob a terra. Dos pará-raios.