quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tudo foi válido


Desde que eu me conheço por gente (e isto aconteceu lá pelos 4, 5 anos) meu maior sonho sempre foi o de ser escritora. Eu não conseguia me imaginar fazendo outra coisa. Eu era tão fissurada por palavras e histórias, que quando vinha passar as férias com meus avós maternos (Neusa e Fábio), no Salto, passava o tempo todo inventando histórias. E contando-as. Eu já estava alfabetizada e num destes episódios de "contação", meu avô foi ao armazém do Nestor e comprou um caderno para mim. Ele me deu o caderninho e disse que toda história contada deveria ser escrita ali. Foi assim que começou a "minha carreira como escritora". Escrevendo com lápis, num caderno fininho comprado no armazém. De um jeito tão despretencioso, mas tão apaixonado.
Hoje eu tenho 36 anos, quase 37. Algumas experiências profundas que deixaram cicatrizes feias, que me afastaram do meu sonho maior, mas não me fizeram desistir. Tomei alguns atalhos para chegar "lá", que me levaram para ainda mais longe. Estudei, emburreci, li, reli, fechei todos os livros, quase ceguei. Achei que só os clássicos valiam. Achei que os clássicos não valiam nada. Experimentei o pop. Reneguei tudo. Tantos anos se passaram. Participei de algumas coletâneas de contos, de concursos. Me tornei jornalista e escrevi bastante. De tudo um pouco. Escutava comentários de que "como o teu texto é bom", mas só me senti bem escrevendo com este blog. Blog este que começou com o nome de "Casa da Paty Viale" num momento de exorcismo. Meu pai e meu irmão caçula tinham recém falecidos e eu precisava fazer algo com aquela dor toda. Ao invés de somente escrever meus pesares acabei ajudando na causa dos animais abandonados e da doação de sangue.
Agora rebatizei o blog como "Universo da Viale". Tô me sentindo mais eu. Um eu que eu não sei quem é, mas com quem me sinto muito mais à vontade. Já não choro tanto meus pesares. Procuro ajudar quem está com os seus à flor da pele. Os meus se tornaram aqulas cicatrizes feias, que nem maquio mais. Assumo-as e pronto. Acho que isto é aprender a viver. Agora tenho que reaprender a escrever.