sábado, 27 de março de 2010

Carmim

Olhos castanhos e boca bem feita tal como meu poeta nos sonhos mais inocentes com seu olhar de ave de rapina mas que no fundo é uma criança desprotegida eu posso amar esse homem sentado a minha frente se não fosse eu a mulher mais fiel das mulheres e como me olha como me devora com seu apetite imagino-o com a boca pintada de carmim a correr meu corpo a marcar minha pele com sua cor e seu gosto tão vermelho quanto o molho de tomate respingado em sua camisa tão audaz quanto seus olhares tudo parece um jogo uma caçada pensa ele que sou a caça mas sequer cogita que já está dependente e preso em minha armadilha e que agora quero torturá-lo sem piedade até confessar todos os detalhes de sua vida essa que pode ser imunda com muitas mulheres de hábitos vulgares e risadas altas ele tem olhos obsessivos e deve amar mais com a boca do que com as mãos por quantas camas ele terá passado tem jeito de relaxado com suas coisas nao notou as pequenas manchas de molho de tomate em sua camisa marrom por que não branca ou azul marrom lembra estrada de chão batido terra de cheiro que faz coçar o nariz de cavar e escavar de tapar e enterrar de mortes necessárias e outras nem tanto quantos poetas morrem por dia por causa de horas marcadas e palavras mal interpretadas esse homem mata com certeza mata por paixão pode degolar o inimigo que ousar tocar em sua donzela ou tomar seu lugar esse homem mata se esse for o meu desejo eu só preciso faze-lo acreditar de que tal ato é indispensável manipular ele como minha faca meu punhal e o sangue do inimigo tão vermelho quanto sua boca pintada tão carmim como todos os desejos reais dessa humanidade por que não olho nos olhos desse sacana que me encara porque o considero vulgar e ao mesmo tempo isso me atrae acha ele que sou presa fácil uma gazela nas garras do poderoso leão a fragilidade e a força quanta idiotice pode envolver um flerte sem compromisso mas se eu quiser posso olhá-lo puxar conversa e iniciar um romance como todos aqueles de mentirinha que aparecem nas revistas e na televisão quanta besteira esse homem me faz pensar e como esse ser me perturba sua camisa suja tão suja quanto sua expressão ao gozar gestos planejados quer impressionar como eu o odeio e isso me dá vontade de tocá-lo tocar para machucar para sangrar e doer para fazer dele o pobre coitado em busca de uma razão para a sua triste existência idiota como é reconfortante encontrar pessoas desse nível pela vida até mais meu miserável prisioneiro.

Mini contos (17/05/2007)

Patchwork
O moço e a moça estavam sentados frente à frente. Olho no olho, a menina abriu o coração. Este estava retalhado.

Reconciliação
A cola se rebelou e colou todos os papéis. Inclusive as cartas de amor rasgadas na noite anterior.

Bem me quer, mal me quer
Apesar de despetalada, a margarida nada soube dizer. Caiu dos pequeninos dedos e morreu.

Mau Humor
Espírito de porco. Sento no meu canto e calo todos os pensamentos. Inclusive os externos. Só isto.

domingo, 14 de março de 2010

Apenas um desejo

Mário, não sei se eu deveria estar aqui. E por que Marina? A água está acabando. Todos morreremos de sede. Como assim? Tenho lido nos jornais que a situação é mais grave do que imaginamos. Você já se imaginou morrendo de sede? A garganta deve ficar seca, tão seca, deve apertar tudo aqui dentro. E ela coloca a mão entre a barriga e o peito. Não gostaria de morrer assim. Marina, você não irá morrer de sede. As coisas são ditas dessa maneira para que a mídia possa vender. Não se preocupe. Como poderei escrever minhas memórias, se nem velha irei ficar? Como assim? Nada. Como nada? Você começou o assunto, por favor, agora fale. Marina fica receosa. Olha para cima. Olha para Mário que não entende coisa alguma. Eu só quero estar com esta mulher, beijá-la. E vem ela com morrer de sede, acabar a água... Mário, eu não posso morrer antes de ficar velha, porque quero escrever minhas memórias. Esse é meu maior desejo. Só isso. Mas você não é famosa, não é artista. Por que quer escrever suas histórias? Porque eu quero. Tudo na vida precisa ter motivo para os outros? Como você é chato de vez em quando! Não sou chato! Apenas quero entender. Você não tem que entender meus desejos! Quero contar minha história. Esse é o maior desejo da minha vida. Só isso. Mas qual o motivo? Você foi importante para algo? Fez algo de grande? Não. Não fiz nada dessas coisas. Sempre fui muito normal, mas quero contar justamente isto. Está bom assim? Mário fica impaciente. Não, não está. Isso não é normal. Normal é comprar uma casa, renovar o guarda-roupa, casar, viajar para o Caribe! Isso é normal! Querer ficar velha para escrever memórias não é normal. Mas é o que eu quero. Eu, Marina de Azevedo, quero, desejo isto. Este é o meu maior desejo. Pronto. O que Mário quer, ou qualquer outra pessoa, é outra coisa. Dá para entender que somos todos diferentes? Não, não dá. Ninguém é diferente. Por que você seria? Você é igual a todos os outros. Nada tem de diferente. Eu tenho! Irei escrever minhas memórias e então, você entenderá. Não quero esperar você ficar velha. Mário parece abraçar a cabeça, mas é repentino. Marina, quero casar com você! Quero estar com voê em todos os momentos.
Marina olha para o lado e vê um corvo. Pensa no pássaro bebendo água. lembra da bica d'água e sente saudades.

domingo, 7 de março de 2010

Brincando de casinha, sendo "mulherzinha"


Atualmente se fala na voz dos excluídos, da periferia, das gostosonas e em tantas outras tribos. Na véspera do Dia do Mulher, num dia cinza, friozinho e com cerração fechada fiquei refletindo sobre a minha não triste vida, mas que algumas vezes assume um tom desbotado e esfarrapado. Dediquei a tarde a limpar aqueles vidrinhos de sopa e sobremesa prontas que Maria Rita come em momentos de pressa ou de saídas repentinas. Tirei os papéis dos vidros e das tampas para poder lavar, passar água quente e então pintar as tampas. João está fazendo bandejas com resto de madeira e montaremos pequenos conjuntos para vender no Bazar Universo da Viale, no dia 20 de março.

Me peguei pensando no que eu estava  fazendo: reciclagem, perdendo tempo, charminho...? Sou jornalista formada, desisti de uma vaga no curso de pedagogia da UERGS para ver Maria Rita crescendo, já disse alguns "não" para trabalhos na área de assessoria de imprensa. O que estaria eu fazendo? Fugindo de um compromisso profissional? Desistindo? Me acomodando? Tenho refletido muito. Tanto que quase pirei nesta última semana.

Mas acho que meu anjo da guarda me iluminou. Limpando aqueles vidrinhos pude perceber na grandeza de uma vida "doméstica". Sou eu quem escolho a alimentação da minha filha. Sou eu que compro os produtos orgânicos para a sua refeição. Sou eu quem se preocupa com a destinação do lixo produzido na casa. Sou eu que monitoro o uso do carro. Entre outras tantas coisas. Claro que dou minhas escorregadas, principalmente quando Maria Rita dorme mal a noite. Mas analisando asssim percebo como é importante a minha vida "doméstica". Minhas escolhas influenciam no andamento do mundo. Tanto ou mais se eu trabalhasse "fora".

Trabalho dentro do meu mundo. Tornei-me uma jornalista do cotidiano, dos detalhes, das pequena coisas que realmente mudam tudo. As grandes marcam. As pequenas nos fazem viver.

Acho que vou parar o questionamento e me dedicar ainda mais a minha casa, minha família e tudo que é produzido aqui. Virei "mulherzinha" e aprendi que a femilidade vem em detalhes pequeninos que fazem toda a diferença lá na frente. Que as "mulherzinhas" soltem a voz sem vergonha e assumam ainda mais sua importância neste mundo que merece cuidados especiais no dia-a-dia.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ação Dia das Mulheres - Associação Chico Viale, Rádio Pop Rock e HEMORGS

Mulher, no seu dia seja uma mullher solidária. Comemore o dia 08 de março doando sangue no Hemorgs. O evento, que contará com mulheres celebridades e de todos os tipos sanguíneos, é uma promoção da Rádio Pop Rock, HEMORGS e Associação Chico Viale.

Venha participar desta corrente de vida e solidariedade. No dia 08 de março, das 8h às 18h, no HEMORGS, ali na avenida Bento Gonçalves , 3722, no Partenon, Porto Alegre. Doe sangue, doe vida. Seja uma mulher ainda mais solidária!

Convidadas doadoras confirmadas:

Patsy Cecato - atriz

Adriana Deffenti - cantora

Claudia Tajes - escritora (por ter tido hepatite, Claudia não poderá doar sangue, mas mesmo assim estará ajudando a divulgar o evento e estará lá, no dia 08).