quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Mudamos de cara



Mudei a cara do blog mais uma vez. Tô em busca da "minha cara". Já não me reconheço nos espelhos e nas fotos. Talvez porque eu tenha mudado muito. Talvez porque a vida tenha me marcado.



Estou sempre mudando o cabelo, a cor... mas desta vez parece que estou precisando ir além. A verdade é que meu desejo era raspar a cabeça, como fazem os monges budistas.



Esquecer a vaidade banal criada num ataque de "não sei o que fazer" do ser humano.



Mas cabeça raspada é radicalismo e eu tô fora deste movimento. Já fiz parte, mas agora não me pegam mais.



Cansei de não saber quem eu sou. Na verdade acho que sou uma atriz, incorporando mil personagens. E conforme eu incorpo, mudo o visual.


Tô chegando à conclusão que não tenho medo de ser ridícula. Tenho é uma necessidade ENORME de viver! De experimentar tudo que a vida possa oferecer. Seja a dor ou o aplacar da dor. Me jogo de cabeça.


Esta postagem é uma retrospectiva do que fiz nos últimos tempos. Dos meus cabelos. Dos meus sorrisos. Tô precisando me orgulhar de mim mesma.


Tem horas que me perco. Talvez por estar sendo mãe e mulher. Acumular funções nunca foi fácil para mim. Tem horas que entro em curto circuito.


Não posso reclamar da vida. Só se eu fosse louca!!! Mas minha imaginação está sempre à mil e acho um desperdício freiar tudo isto.


Talvez seja só uma crise de ansiedade. As fotos estão mostrando que já fiz muito! Mas eu sempre quero mais.


Acho que vou tentar floral de Bach... talvez seja só uma crise de ansiedade em função de tantos lutos, dos hormônios retardados da gravidez.


Diagnóstico feito por mim mesma. Dei alta para terapeuta e para os médicos. Eu mando na minha vida! Esqueceu, Patrícia?



A vida é feita para rir. E bem se vê que tô conseguindo. Andei chorando mais do que devia. Até que a Maria Rita subiu no meu colo e  enxugou todas as lágrimas, uma por uma, com seus dedinhos. Fiquei muito emocionada e naquele instante agradeci à Deus.


Agradeci à Deus por tudo que aconteceu, tudo mesmo: o problema na perna esquerda quando criança; a timidez que me fez ser CDF; a vida de cigana, morando um pouco em cada lugar (já morei em mais de 21 casas!!!).


Agradeci o despreparo ao entrar na faculdade de jornalismo com 16 anos. Todas as viagens. Todas as cidades em que morei. Agradeci meu primeiro casamento. A temporada na Suíça. A volta ao Brasil. A separação.


Agradeci a falta de dinheiro. Os vícios. A vontade de querer viver.


Agradeço a doença e a morte do meu pai. Agradeço o acidente e a morte do meu irmão caçula. Agradeço o acidente com a mão da minha mãe.



Agradeço meu encontro com o João. A nossa vontade de ficar juntos. O nascimento da Maria Rita. Os novos amigos. Minha casa tão amada.


Agradeço todos os cachorros abandonados que passaram pela minha vida. Todas as minhas compulsões. Até minhas preguiças foram bem vindas.



Sabe por que? Porque foi tudo isto que fez eu ser o que sou hoje!!!!! Até mesmo as dores profundas!!!


Eu aprendi a respeitar os outros. A ser menos mimada. Aprendi a cozinhar. Voltei a caminhar e arrisco corridinhas.


TIVE UMA FILHA LINDA E CHEIA DE SAÚDE!!!


Amo um homem legal demais, que pinta a casa de colorido para me fazer feliz!


Tenho a oportunidade de fazer a minha filha vivenciar família, amor e religião sem preconceitos ou culpas.


Tenho amigos, saudades e imaginação.



A vida realmente é bem legal!!! Não sou perfeita, mas não foi isto que Deus me pediu. Amanhã vou dar continuidade a este processo bem estranho e lindo, que é viver: vou cortar o cabelo!