terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Arrumando o Universo


Até que eu não era detalhista, mas um dia a gente se rende ao que é belo e charmoso... colei fuxicos em todos os prendedores de roupa daqui de casa. tô só imaginado o varal de roupas: todo colorido!!!

Os exageros do final de ano...



Final de ano é sempre assim. Praticamente todos os dias tem uma comemoração. É amigo secreto do trabalho, almoço com os amigos da academia, piquenique da escola do filho, jantar de formatura... UFA! E nestes momentos não tem como deixar de lado o prazer de comer.

Quem está em reeducação alimentar poderia pensar que este momento do ano seria como a gota d’água. Que tudo que foi feito e seguido durante o ano, foi por água a baixo. Mas na verdade, estamos muito enganados. Reeducação alimentar, quando feita de forma saudável, faz agente passar por estes momentos de “exageros” alimentares de uma forma bem tranquila. Sem culpa!

Não pense em privação, em proibição. Pense em MODERAÇÃO e EQUILÍBRIO. Durante as ceias ou até mesmo nestas comemorações com os amigos, procure se conscientizar. Observe o que você está comendo e do modo como está comendo. Tente fazer escolhas mais saudáveis. Faça trocas inteligentes.

Curta a companhia dos amigos, o clima do momento, a música ambiente. Desta forma, estas comemorações serão tão prazerosas, que a comida não terá destaque especial na noite.

Boas festas e boas escolhas a todos!!!

NUTRICIONISTA
Fabíola Frezza Andriola

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Biscoitinho de nata e carinho de vó em plena segunda-feira









Tudo é escolha nesta vida. Escolhi ter inícios de semana tranquilos. Me mandei para o Salto com a Maria Rita. Fomos aprender a fazer biscoitinhos de nata com a tia Suzana, que na verdade é uma vó emprestada. Depois que perdi minhas avós, não me conformei com as perdas e não sosseguei enquanto não adotei uma vó. A tia Suzana é prima da minha avó materna, Neusa, e sempre nos demos muito bem. Passamos a nos dar ainda melhor. A casa dela é mágica, tem um carinho que só vó dá. Tem horta arrumada por ela (que já passou dos 80 anos). Tem flores para todos os lados.






Aqui Maria Rita com a vó Eloisa e com a bisa Suzana

agapantos brancos, dálias roxas

a casinha mágica


fomos fazer biscoitinhos de nata, coisa tão boa!!! daqueles que a gente não consegue parar de comer


tia Suzana é craque no que faz e uma pessoa muito dedicada





até Maria Rita botou a mão na massa



os famosos e deliciosos biscoitinhos que estão sendo devorados aqui em casa 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Dia de festa!!!


Se depender da Maria Rita todo dia é dia de "Big", traduzindo aniversário. É big, é big!!! Com balões, pastel sem carne, bolo de chocolate e amigos. Tudo nas palavras dela. E ela tem razão. A vida é tão simples, tão óbvia. De que mais precisamos? Estou tão contagiada com este espírito festivo que agora sempre tem balões aqui em casa. Não cheios, mas guardadinhos para um ataque surpresa. Enchemos rapidinho, batemos palmas e pronto, a energia da casa já vira uma grande festa de aniversário.

Agora vem Natal, aniversário de Jesus. Ela quer um "Big". Serão balões vermelhos e verdes. Mais festa! Mais palmas! E uma nova vida.

Quando se fala em nova vida não significa que tudo muda. Não! Nada muda. A única transformação é no nosso olhar. Olhar diferente. Somente isto. O que era sem graça passa a ter mais brilho. O que era corriqueiro passa a ser importante. Isto é nova vida!!!

E para começar bem o dia, cartão de boas festas de Marta Rossi e toda a sua equipe, para a Associação Chico Viale. Trabalho feito pela artista Claudia Kellermann, que tem o projeto Reciclarte, onde incentiva a preservação do meio ambiente através da reciclagem.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Carta para Marilu e colchas indo para POA/RS

As colchas "Por mais um doador de sangue" estão indo hoje, de carona, com a professora Luciane para Porto Alegre. Objetivo? Passarem a semana no HEMORGS, ali na avenida Bento Gonçalves, em comemoração do Dia Nacional do Doador de Sangue, que acontece na sexta-feira, dia 25 de novembro.



Marilu Peck, a responsável pela captação de doadores do HEMORGS, receberá as colchas e uma carta. Carta esta que reproduzo abaixo para que todos conheçam os planos desta Associação para 2012.

Carta para Marilu -


Marilu, a carta é endereçada para ti, mas pode ser lida por toda a equipe do HEMORGS e por quem trabalha pela causa do sangue.


A Associação Chico Viale se encaminha para o quinto ano de trabalho. Confesso que não é nada fácil, pois ao comemorar o êxito do trabalho, também choro de saudades do meu irmão.


Várias vezes tive vontade de largar tudo e tentar uma vida mais normal, porque escolher um trabalho, onde o objetivo é libertar consciências não é normal...


Nestes quase cinco anos houveram limitações de todo tipo: climáticas, econômicas, burocratas, etc. Mas a pior de todas chama-se falta de humanização. E o que é falta de humanização? Popularmente dizemos que é falta de coração. É deixar que regras e números passem por cima de pessoas. É não se sensibilizar com o que a vida insiste em mostrar. Quem trabalha com a causa do sangue tem que saber chorar. Tem que saber se emocionar com coisas mínimas. Tem que ter coração.


Quando iniciei este trabalho, eu não gostava de pessoas, não gostava de me envolver, muito menos de ouvir queixas e lamentos. Aos poucos fui percebendo que me envolver com os outros é me envolver comigo. Melhorar minha relação com os outros é melhorar a minha pessoa. Este ano criei coragem e doei sangue. Daí o círculo da vida se concretizou. Viver, trabalhar pela vida e doar vida. O que mais pode querer uma pessoa?


Para 2012, a Associação Chico Viale vem uma meta diferente. Além de trabalharmos pelo aumento e fidelização dos doadores de sangue e de medula óssea, vamos nos concentrar no repasse das informações sobre todo o processo e principalmente trabalhar pela humanização da causa "Doe Sangue, Doe Vida". Como faremos? Olhando nos olhos das pessoas e deixando o coração falar a verdade que todos buscamos.


Feliz Dia do Doador e que os próximos dias sejam de muitos braços estendidos para a doação.


Patrícia Viale

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Lá em 2006...

Lá em 2006 eu era feliz. Despreocupada. Recém separada. Recém amando novamente. Tinha irmão. Tinha pai. Tinha mãe e irmã. Tinha tudo que alguém fazendo 33 anos poderia ter para ser feliz. Na época fui trabalhar na Casa Etílica, um bar fantástico que o meu João construiu, iluminou, sonorizou aqui em São Chico. O lugar era mágico!!! Tocava muito rock, tinha gente animada e abertura para novas ideias. Um amigo nos pediu uma festa GLS. E lá em 2006 fizemos a primeira festa GLS, em São Chico. "Monotonia Prá Quê?", era o nome da festa que trouxe as dragqueens Leticia Dumont e Gisela Beauty. Estava encostado no meu aniversário e resolvi comemorar os 33 anos naquele ambiente colorido e super divertido.

eu com o Fernando e a Rosinha

 arrumando a festa e João fotografando

Rosinha e Patrícia montadas no modelito

Com Gisele Beauty
Sempre tive amigos e amigas gays. Sempre fui respeitada. Sempre os respeitei. Vejo notícias sobre agressões  contra homosexuais e não compreendo. O que tanto incomoda? Serem divertidos? Vestirem mais cores que nós? Se assumirem? Juro que não compreendo. Aprender a respeitar as diferenças tem seu charme e é tão bom!

Gisele Beauty, eu, Flavinho e Leticia Dumont



Foi meu melhor aniversário! Lá em 2006 eu fui muito feliz! Feliz demais! Encontrei o CD com as fotos desta festa e me emocionei. A Casa Etílica terminou em janeiro de 2007, uma semana antes do acidente do meu irmão, em função de um assalto, com arma na cabeça e tudo. Agora, dia 05 de novembro vamos celebrar as alegrias que tivemos com uma grande festa REMEMBER CASA ETÌLICA, no Taylor's Pub, em São Chico. Apesar de já termos chorado muito, vale a pena recordar as risadas e rir um riso novo. Até o João vai ressuscitar a Sarabanda, que fez tanto sucesso aqui na região entre as décadas de 70 e 80. Quem vier vem bem para se divertir!!!!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Nonô

Quando conheci o seu Brambilla pensei em como escrever sobre ele, que título dar para a postagem, mas sinceramente, igual a ele poucos existem. Com 94 anos, João Brambilla levanta cedo, faz seu próprio chimarrão, cozinha, cuida da casa e da horta, ajuda na manutenção do Hospital de São Francisco de Paula e ainda cuida das hortaliças e verduras numa tremenda horta, que abastece a cozinha do Hospital. Ufa!


O Nonô nos faz pensar sobre as prioridades que escolhemos, não para toda uma vida, mas o dia a dia. A Vida é feita de passado, presente e futuro. E hoje o que temos é somente o hoje, o agora, o presente. E o Nonô nos mostra isto sem teorias, sem discursos. Em 1961, a convite do padre de São Chico (que era seu parente), veio para o município construir a Igreja Matriz. Foram três anos de construção, do alicerce à torre, passando pelo reboco, pelo forro e todos os detalhes. Ele e outros três funcionários. Na época, em São Francisco de Paula circulavam apenas dois carros nas ruas.

Tanto na horta do Hospital, quanto na da casa é plantado milho, alface, cebolinha, salsinha, repolho, chuchu, entre outras verduras. A rotina é semear, transplantar as mudas, limpar os canteiros e plantar mais. O que não usa para si ou para o hospital distribui entre os colegas de trabalho, todos fascinados pelo bom humor e pela disposição do seu Brambilla. Ele não gosta de desperdiçar coisa alguma. Nenhuma conversa, nenhum alimento.

Natural de Montenegro relembra a saga dos seus avós. Estes vieram de Milão e juntamente com outras duas famílias italianas começaram o povoamento de Nova Milano, na região serrana gaúcha. De Nova Milano lembra da sociedade esportiva, que ajudou a fundar, e dos jogos de futebol.

Nonô chegou em São Chico em 03 de abril de 1961. Depois de terminada a construção da igreja foi buscar a família, que estava em Caxias (mulher e filhos). Ele diz que quem toma a água de São Chico não consegue mais ir embora (e esta blogueira confirma!). Daí foi chamado para construir o Clube Cruzeiro e inúmeras casas na cidade. São 60 anos como pedreiro. Também foi ferreiro, tropeiro e serviu ao exército. Tropeiro foi por pouco tempo. Ele buscava mulas de carga em Lajes/SC, porque lá eram mais baratas e as revendia em Farroupilha, Bento Gonçalves/RS. Gostava muito de viajar, mas atualmente disse que não gosta mais.



Perguntei a ele se chegar aos 94 tinha segredo. Ele fez cara de espanto. Disse que era uma vida normal. Nada mais. Em junho, os colegas de trabalho do Hospital fizeram uma festa de aniversário surpresa para o Nonô. Mais do que contente ele ficou surpreso. Seu Brambilla é assim, vive sem expectativas e um dia de cada vez. Um aprendizado e tanto numa época de correrias desnecessárias.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ótimo filme



Em 2007 trabalhei como jornalista na assessoria de imprensa do Festival de Cinema de Gramado. Ainda em luto pela morte do meu pai e do meu irmão decidi trabalhar para amenizar as dores. Tive gratas surpresas, como reencontrar amigos jornalistas, produzir bons textos e assistir "El Baño del Papa", produção uruguaia com César Trancoso no papel principal. Um filme de aparência simples, de imagens encantadoras e uma mensagem otimista.

Na sinopse o ano é 1988 e o Papa João Paulo II visitará a cidade de Melo, no Uruguai. Calcula-se que 50 mil pessoas virão ao lugarejo para ver o Papa. Os habitantes mais humildes acreditam que, se venderem comida e bebida a esta multidão, ficarão ricos. Bento não pensa em comida e bebida, mas em construir um banheiro.

E assim se desenrola uma história de ambições, limites e coragem. Era tudo o que eu precisava na época. Depois do filme, coletiva de imprensa com os diretores e atores. Realismo e ficção juntos, sem deslumbramentos, experiência de palco indo para a grande tela.

No último final de semana, o Canal Brasil exibiu o filme. Nossa! Que coisa boa! É de pensar, de rir, de refletir.

Procurem na internet, nas locadoras. Assistam! E depois me contem se exagerei...

sábado, 17 de setembro de 2011

Escola de Chocolataria, em Canela/RS


Foi em clima de comemoração, no ano em que completa 10 anos de atividades, que a Castelli Escola Superior de Hotelaria lançou e sua Escola de Chocolataria, reunindo convidados, autoridades, imprensa, parceiros e alunos no stand da Febrachoco, a primeira edição da Feira Brasileira do Mercado de Chocolates.

professor Castelli lançando a Escola de Chocolataria
Dos Saberes às Sensações, do Cacau ao Chocolate, a Escola de Chocolataria da Castelli ESH será um Centro de Excelência em Educação com programas de ensino de atividades teóricas e práticas, incluindo vistas técnicas aos principais centros de referência na produção de chocolates no Mundo.

A Escola de Chocolataria contempla ainda a formação profissional, empreendedora e cursos rápidos, como chocolate gourmet. O principal foco é a cadeia produtiva do chocolate, vislumbrando desde a qualidade dos grãos de cacau até a tecnologia de produção tanto artesanal como industrial e voltado ao ensino da Arte e da Gastronomia do Chocolate.
  
Formatada para aqueles profissionais interessados na carreira de chocolatier, e também aos empreendedores do ramos de chocolate, e ao público em geral interessado em técnicas  de confecção de produtos de chocolate. Mais informações com Vera Oaigen pelo e.mail castelli@castelli.edu.br ou pelo telefone 54.3282.1460.

texto de Aline Viezzer e foto de Sandro Seewald

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quer ajudar o banco de sangue do HPS?

Para doar sangue para o Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre (HPS), basta comparecer ao Hemocentro (avenida Bento Gonçalves, 3722 - bairro Partenon - Porto Alegre), de segunda a sexta-feira das 8h às 18h, e fazer a coleta em nome do HPS.

sábado, 20 de agosto de 2011

Karin Lange, esculpindo uma vida mais justa e sustentável

Karin sempre gostou das cores. “Quero te dizer que sempre gostei de colorir tudo que eu tinha e também de fazer artesanato” e assim Karin Lange começa a contar sua trajetória pelas artes.





"Desde pequena fiz cursinho de pintura em gesso, pedrinhas com durepoxi, pintura, cerâmica, desenho, meus pais me apoiavam e incentivavam. Isto foi muito importante. Em 1996, me formei na UFRGS. em Artes Visuais - ênfase em Escultura - e lá na faculdade convivi com professores ótimos e outros nem tanto, mas minha bagagem artística cresceu demais, foi maravilhoso aprender diversas técnicas e poéticas visuais, inclusive com os colegas,” conta a escultora que não se abate perante as surpresas da vida.



“Trabalhei com artes até 1999, quando por um revés da vida, me separei e "fiquei" secretária até 2007. "A vida só é dura pra quem é mole", né?! Tive que sustentar a mim e a minha filha e tocar a vida, mas continuei ligada nos eventos e recortava tudo de artes que encontrava. Formei uma caixinha que nunca cansei de vasculhar, com textos e  convites que fui arquivando”, relata a moça entusiasta.



“Voltei a produzir, super feliz, em 2007, quando casei novamente e optei por uma melhor qualidade de vida, sem aquela locurada de 14h de trabalho e pouco convívio familiar, uma vida mais simples e com mais sentido, a meu ver. Sigo então, refazendo aquele caminho, que iniciei lá trás, também descobrindo outros, agregando conhecimento e dividindo com outros artistas e amigos que não só passam pelo mundo, mas enxergam realmente tudo de belo que Deus criou”. Karin não é de frescuras, é de ação e de esperas planejadas.



Quando passei as perguntas da entrevista e o link do Universo Viale, ela prontamente respondeu. “Estive olhando teu blog e gostei muito. Senti uma grande harmonia na tua relação com São Chico (a cidade São Francisco de Paula, onde moro e o refúgio da Karin nos finais de semana) e com tuas atividades por lá. Muito bom. A cidade também me faz bem, me acalma, mesmo que eu só consiga curtir nos finais de semana. Vi que gostas dos patos do lago... eu AMO aqueles fofos! Tenho um outro blog só de fotos (outra boa surpresa da escultora), que eu tirei de bichos. A maioria é em São Chico e os patos estão no primeiro item (abril 2010), quando tiveres um tempinho, passa lá pra ver: www.astroanimal.blogspot.com
“.



Karin Lange, teve a oportunidade de experimentar diversas técnicas e gostou muito de pintar com aquarela e acrílico, de trabalhar com gravura e com argila. Mas a escultura já exercia seu fascínio. “Na verdade é uma criatura que vai nascendo na minha frente e minha preocupação com a multifacialidade acaba criando pontos de interesse, ao redor de toda a peça, dá vontade de circular em volta, de tocar, pois os materiais, tanto o cimento quanto a pedra, tem um apelo táctil, que eu reforço com algumas texturas. Encontrei na escultura uma maneira de sintetizar, simplificar as formas da natureza, sempre de uma maneira densas e sinuosas, com um vazado onde a energia circula e o vento atravessa”, explica ela.





Entre os materiais que trabalha estão: madeira, cimento+agregados e pedra sabão. *Com a madeira não tenho trabalhado ultimamente, pois me exige mais esforço físico (já tive tendinite) e leva muito tempo para finalizar. Meu trabalho com cimento+ agregados utiliza a técnica de forma perdida: faço o molde em argila, tiro fôrma do negativo, em gesso, e gero o positivo em cimento e agregados. É forma perdida, porque eu quebro o gesso pra surgir a peça final. Se assemelha a um nascimento, pois depois de 2 semanas, no tanque de água, e uma semana secando, finalmente rompo a forma e me surpreendo com o resultado, uma nova peça, tipo um filho. São sempre peças maciças e exclusivas. O processo está descrito com fotos neste item do meu blog http://klartes.blogspot.com/2010/03/etapas-esculturas-em-cimento.html .”



*Criar na pedra é muito estimulante, às vezes tenho um projeto/encomenda e procuro a pedra que se enquadre ou, outras vezes, vejo uma pedra e ela já me diz que forma devo trabalhar. Com o projeto rabiscado construo o elemento em argila que será meu modelo, meu guia em 3D. Só então inicio o desbaste da pedra com retífica, formões, serra e martelo até que atinja o formato desejado, então vem a fase das lixas, que dão o acabamento com qualidade. Interessante que antes de iniciar a utilização da lixa d'água, eu ainda não sei o tom da pedra e isso é fascinante! Até este estágio meu envolvimento com a pedra se limita apenas a forma e suas linhas sinuosas. Ao entrar com a lixa d'água na peça, sempre me surpreendo com a variação de tons, com a beleza que este elemento natural esconde da gente. Finalizo com cera sobre a pedra quente para dar melhor proteção. Podes ver fotos da criação de algumas em http://klartes.blogspot.com/2010/03/etapas.html  Acho que, por ser um elemento natural, é o material no qual mais gosto de produzir e, depois de pronto, é uma delícia ficar tocando, olhando, sentindo”.
  


Sobre inspiração, Karin diz que explora a fantasia e o imaginário marinho em formas orgânicas. “Tanto o colorido, como o céu e o mar, estiveram sempre presentes na minha pesquisa dos temas, para compor as obras e o resultado de cada uma é a soma de elementos que observo, assimilo, mesclo e simplifico. Com as esculturas também procuro sensibilizar as pessoas para que repensem seus hábitos e ações junto ao meio ambiente, mostrando a importância da preservação das águas. O conjunto das obras, em cimento ou em pedra sabão, possui uma sequência e códigos que se repetem, os quais dão uma idéia do desgaste e da adaptação dos seres marinhos”. E quem disse que meio ambiente não combina com arte? A artista tem certeza de que os caminhos seguem juntos.



Seu trabalho é divulgado pela internet. Pelo site www.klartes.com.br , pelo blog www.klartes.blogspot.com  e outros 2 sites que participo: http://www.artistasgauchos.com.br/    http://www.arteatual.net/art-karin-lange.htm .
Ela também deixa trabalhos, em consignação, em lojas e galerias e faz parcerias com arquitetos (“por isso acrescentei um tópico ao menu do meu site: Obras ambientadas, e nele coloquei fotos das esculturas em locais diversos como escritório, bar, sala da lareira, etc..., explica Karin”).



Vender seu trabalho ela vende. “O mercado das artes é bem peculiar, então não consigo fazer uma previsão certa de entradas e sei que tenho um caminho ainda a trilhar antes de poder me firmar nesse setor. Sou bem realista. Converso muito com outros artistas, a troca é importantíssima, e vejo que a trajetória de um artista tem em média 10 anos de fundamentos e, só a partir daí, se solidifica. Isso não é um problema, é um desafio. Claro que vou sempre me esforçar, porque vender meu trabalho é muito gratificante”. E se não fosse escultora, o que seria? “Professora de artes”, afirma ela.



 Sobre expor seus trabalhos, Karin participa de exposições e procura estar perto do público. “Deixo as esculturas bem próximas para que as pessoas possam senti-las e circular ao redor. Também procuro sensibilizar as pessoas, para que repensem seus hábitos e ações junto ao meio ambiente, salientando a importância da preservação das águas. Episódios, como o ocorrido no Golfo do México, reforçam o alerta de que devemos tratar nosso planeta com mais responsabilidade, conscientes dos limites de nossos recursos naturais. A questão ambiental diz respeito a todos! Minhas esculturas refletem essa preocupação”. Artista decidida, Karin busca um espaço para executar seu próximo projeto, uma exposição individual. “A proposta é apresentar uma exposição para sacudir o acomodado, impulsionar uma mudança de comportamento e contribuir para reduzir as agressões ao meio ambiente. Quero dar visibilidade ao problema da poluição e suas consequências. Trazer à tona este tema e propor alternativas. No mesmo local estariam as esculturas distribuídas, banners discorrendo sobre problemas críticos de contaminação das águas. Ainda estou atrás de uma ONG, entidade para parceria com material didático de distribuição gratuita. Além disto, quem sabe, um momento do público com a artista e integrantes da ong. Como já disse, estou trilhando meu caminho... cada escultura do conjunto tem uma sequência de códigos, que se repetem intencionalmente, demonstrando desgaste e adaptação dos seres marinhos, reforçando minha intenção de representar a metamorfose da criatura, uma espécie única, rara, em extinção”, conclui a artista ambientalista.



Quem sabe a próxima exposição da Karin seja em um lugar bem próximo de nós???? 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O casaco passeador

Era uma vez um casaco muito belo
de fundo preto e aplicações coloridas
dois grandes bolsos
e muitos sorrisos arrastados pelo caminho


O casaco gostava de passear
talvez por causa dos desenhos recortados e costurados
desenhos que remetiam a muitos lugares
deste mundão imenso.

Tinha japonesa. Tinha gato.
Tinha até sininho colorido, que tocava na hora do almoço.

Havia também uma bola
que os meninos de pé no chão
jogavam na rua, de esquina
cheia de flores.

Era a japonesa que cuidava do jardim
colhia as flores para os vasos da vizinhança. só o gato que não gostava
porque ele adorava dormir no meio do perfume do jasmim.

Um dia meu casaco foi almoçar num restaurante
ele adorava passear
conheceu umas moças bem legais
que o abraçaram com braços carinhosos

As moças costuravam, colavam, tricotavam
e faziam outros casacos.
Mas alguém terá casaco tão formoso
quanto o meu?



Casacos são casacos
são de lã, feltro, veludo e até de algodão.
Casacos esquentam no frio, escondem dos outros
ou somente enfeitam meus braços.

Casacos são casacos 
mas quando visto o meu
pelo mundo posso voar.

Casaco vestido
mãos no bolso
e caminho com vento
é outono.

Coloco meu casaco para tomar sol
arejar no varal
é verão para meu amigo descansar.

Enfeito-o com pequenas flores
todas coloridas]faz-se primavera neste novo dia.

E quando o frio do inverno chegar
no meu casaco irei me aconchegar.

A história é minha, uma das moças que costura é Lucia Guaspari, artista têxtil, que cria coisas maravilhosas e pretende inventar algo com esta história. E o casaco é lá do Espaço das Associações (dos Artesãos e Chico Viale), em São Francisco de Paula/RS. E quem souber uma nova história, que gere novos pontos, seja bem vindo!



domingo, 7 de agosto de 2011

Universo Viale na Flona - caminhada com a Caminhos de Cima da Serra

Caminhar não é para qualquer um. Caminhadas são para os fortes de espírito. O corpo aguenta bem, mas a alma precisa estar preparada para o cenário de magia e interação com a natureza. Não é qualquer um que topa o desafio. Caminhar em uma mata, quase intocável, é mudar o espírito, com certeza.



Sejam bem vindos à Flona, Floresta Nacional de São Francisco de Paula. A Unidade de Conservação mais antiga do Rio Grande do Sul, fica em São Chico, região serrana e está aberta para visitação. Desde que você respeite as regras locais:  sempre preservando a natureza.



E assim nós fomos acompanhados da operadora Caminhos de Cima da Serra, com Adão Samir, como condutor, para uma caminhada de duas horas e meia pela trilha das araucárias centenárias. O objetivo era conhecer o trabalho da Flona, ver a flora e a fauna da região para escrever uma matéria para a revista Terra da Gente. Como fotógrafos da expedição, Joana Moreira e Leandro Teixeira, além da equipe da Flona, a Edenice de Souza, analista ambiental, o biólogo Gerson Buss e a acadêmica de Gestão Ambiental, Michele Koch.



O relato aprofundado vai ficar para a Revista, mas como não mostrar os bastidores desta caminhada, que além de uma aula sobre ecologia, também foi um mergulho na espiritualidade. Nada de sinal nos celulares. Som? Somente o da floresta. E as árvores conversam conosco. As aves cantam. Sons antes não percebidos foram sinfonia para nossos espíritos.

Nosso encontro com as araucárias centenárias foi surpreendente. Um senhor e uma senhora com mais de 400 anos. Inteiros, de pé. Majestosos e nos colocando para pensar no que foram estas florestas sulinas anos atrás. E no que estamos fazendo hoje nesta ânsia de termos tudo, de querermos ser tudo.



O corpo nem nota o esforço tamanha a recompensa para o espírito. Podem acreditar nisto.


E mesmo os obstáculos, como atravessar o arroio, se torna um desafio interessante.


Vale experimentar. Quando a Revista estiver nas bancas aviso prontamente. Por enquanto aproveitem as fotos daqui e os mais entusiasmados podem se inscrever na postagem "Seguidores" para participar de uma caminhada com a Caminhos de Cima da Serra. "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena", escreveu o poeta português Fernando Pessoa. E as nossas não são...