quinta-feira, 26 de maio de 2011

Camila, Camilinha... menininha, mulherão

Camilinha nasceu Camila Dalzoto Silva. Tem 21 anos e cara de menininha. Bonita que dói, ela gosta mesmo é “de ouvir música e cantarolar pela casa; gosto de tomar um chimarrão numa tarde de sol em boas companhias; gosto de sair à noite pra encontrar os amigos, conversar e dançar; gosto de ouvir as pessoas, fazer parte da vida delas; gosto muito de ler; gosto de ajudar e de ser útil”. Estas são as primeiras palavras da moça que estuda Direito para ganhar dinheiro, mas sonha enlouquecer no Design e na fotografia. Camila é guria pé no chão.


Camila (de amarelo) com as amigas

Direito é para ganhar dinheiro e realizar seus outros sonhos. “Como não quis sair de São Chico, por achar que não valia à pena, resolvi continuar morando com meus pais. Na cidade, as poucas oportunidades de trabalho/estágio são relacionadas ao Direito, e é por isso que estou cursando. Ademais, pretendo fazer concursos no Estado todo, sempre que tiver um, e passar logo para ter a minha tão sonhada estabilidade financeira, já que meus pais, infelizmente, não têm condições de me ajudar mais do que já ajudam”, conta Camila, que coloca a família em primeiro lugar.

Camila com a família

A guria curte design gráfico, fotografia, Publicidade e Propaganda e afins. Também adora caminhar. “Prefiro caminhar sempre (a andar de carro), independente da distância. Só não suporto quando está chovendo. Ui, se tem algo que me deixa de mau-humor, é ter que caminhar na chuva!, revela Camila que coloca o sol acima de tudo e chuva só nos dias que pode ficar encolhida no sofá, vendo filme ou dormindo... “ô delícia!”, completa ela

Alguém tem estágio para a fotógrafa?
A moça intelectual gosta bastante de escrever, mas tem muita preguiça! Lê de tudo. “Mas minha preferência são as notícias. Todo dia leio tudo sobre tudo, gosto de estar bem informada e atualizada nas notícias do mundo. Mas a minha preferência é o esporte! Gosto muito de ler livros também, de todos os gêneros! Sou péssima para guardar nomes, raramente me lembro o nome de um livro/escritor para indicar...”

Camila e Renata: amizade e poesia

Camila é consumista na medida. Pensa em ter um filho ou filha. Pensa em viver com alguém, mas não pretende casar na igreja, fazer um festão. “Sei lá, não faz meu estilo, não é algo que eu precise fazer antes de morrer. Estar feliz com a pessoa amada e tê-la ao meu lado é o que me basta”, conta a jovem moça que sonha com um casa linda e colorida, com viagens pelo mundo e com a área criminal, caso se decida por advogar. ? “Sinceramente, não pretendo advogar. Mas, caso trabalhasse na área, gostaria de fosse na área criminal, que é a que mais gosto! O único problema é que não dá dinheiro, tem que ser por puro prazer mesmo”, ela responde.

Camila e o namorado, Pedro Ivo

A moça de cabelos loiros se vê como uma pessoa divertida, alegre e prestativa. Quer que os outros a enxerguem e lembrem dela por estas características. Ela também chama atenção pelas roupas. “Gosto de moda, mas com ressalvas. Gosto da moda das ruas, onde podemos ver a personalidade das pessoas. Escolho minhas roupas pelo humor. Tem dias que acordo com pressa e preguiça, e aí vai a que aparecer na frente. Mas tem dias que acordo inspirada e com tempo, aí gosto de fazer umas combinações. Confesso que muitas vezes me rendo às tendências! Mas tento encaixar tudo no meu estilo sempre”.


Camila e Lucas, afilhado e sobrinho
Camila pensa nos outros. Tempos atrás se cadastrou como doadora de medula óssea, em uma campanha feita pela Associação Chico Viale, em São Francisco de Paula. “Fiquei super feliz em poder participar”, conta ela bem contente.


Camila e a amiga Aline

A guria que gosta de azul, verde e lilás (nesta ordem) e menos gosta da cor laranja anda de bicicleta desde criança, e se pudesse gostaria de voar. “Voar com “as próprias asas”. Seria o máximo. Já sonhei muitas vezes que fazia isso. É uma sensação estranha, parece que eu nunca consigo controlar o vôo. Mas é uma delícia!”.

passeio básico em Torres

Se não estivesse morando em São Chico, ela gostaria de estar numa praia. “Sempre me imaginei morando no Hawaii, com os cabelos beeeem mais loirinhos, surfando durante o dia e tocando um violão durante a noite. Hahaha. Que louco, né? Mas é isso aí! Até que eu me mude de São Chico, meu pensamento não será outro”. E certeza do que quer é uma coisa que a guria tem de sobra. “Nada como ter certeza do que se quer para seguir em frente”, fala Camilinha bem convicta.

P.S: Camila não é miss, mas escolhe entre seus livros favoritos "O Pequeno Príncipe". E é ela quem explica, com maturidade, sobre a importência das leituras seguidas deste quase guia espiritual: "Tava aqui refletindo sobre a pergunta a respeito do que eu leio... Acrescento como resposta que um livro que eu jamais vou esquecer, que eu acho muito lindo e que, a cada vez que leio, eu aprendo mais, é o Pequeno Príncipe. Que leitura magnífica! Pode parecer tolice, mas sei ele inteiro quase de cor... É incrível como todas as situações citadas no livro acontecem no nosso dia-a-dia, sem que a gente perceba. A mensagem dele é linda. E eu indico para quem nunca leu, para quem leu só uma vez, para quem leu duas ou mais... Que leia SEMPRE! Vale à pena".

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Jiane e sua família maravilhosa plantam na terra o bem que vivem

Homens e mulheres, com menos de trinta anos, estão escolhendo trabalhar na terra. Jovens decididos não se preocupam com comentários alheios e muito menos com tendências de mercado. É o caso de Jiane Lauxen, que trabalha com a família (pai, mãe e duas irmãs mais novas) em 10 hectares arrendados na localidade Cerrito, em São Francisco de Paula. Eles plantam repolho verde e roxo, além de couve flor. Nas segundas-feiras saem para a Ceasa às quatro da manhã. Nos outros dias, quando a Ceasa abre às 13 horas, a rotina é menos puxada. Viajam no final da manhã e voltam à noite. Todo dia, se houver produção.



foto de Cleiton Thiele
A experiência na lavoura foi ensinando esta família a prestar, cada vez mais, atenção na terra. Respeitam o rodízio de culturas e o descanso de dois anos. Se em uma parte da terra foi plantado repolho, este mesmo pedaço de terra só receberá repolho daqui dois anos. Sabem que se forem organizados e trabalharem bastante haverá boa produção. O pai (João Pedro) corta as cabeças de repolhos (cuidando o tamanho e o que pode estar podre) e passa para a Jiane, que repassa para a Giovana (irmã caçula), que joga para a Jerusa (irmã do meio) e que entrega para a mãe, Ivania, em cima do caminhão, acomodando os repolhos em caixas prontas para a viagem. O repolho roxo é vendido por dúzia e o verde é vendido em sacos (com seis ou oito repolhos, dependendo do tamanho). Dizem que agricultura é como uma bolsa de valores, um “sobe e desce” constante. “Quando temos super produção, o valor da hortaliça caí. Todo mundo produz, tem de mais. E como tem demais, as pessoas não compram tão fácil”, explica Jiane, que já está acostumada a viver nesta oscilação.


foto de Cleiton Thiele
Jiane tem 25 anos, é professora de matemática formada pela Faccat, viajou pela América do Sul e o Mediterrâneo (dez países num todo) a bordo do navio Splendour of the seas, da Royal Caribbean trabalhando como pool attendant (o atendente de piscina é responsável por manter um olhar atento sobre os utilizadores de uma piscina e suas instalações). Foram oito meses. Quando voltou de viagem pensou no que iria fazer profissionalmente. Colocou na balança os prós e contras da licenciatura e da agricultura. Ganhou a agricultura. Apesar de ser um trabalho braçal e cansativo, Jiane lembra que é autônoma, que a família depende do seu próprio ritmo e vontade. No inverno passam cuidando, preparando a terra, mas tudo de uma maneira leve. Sabem que a lida que vem depois é mais pesada e requer energia. “Quando fui procurar o que fazer vi que não tinha emprego, que fosse mais vantajoso, então fiquei na terra”, comenta Jiane.

Jiane, de preto, com pais e irmãs




Plantar é atividade primária, mas não básica. Terra para agricultura tem que ser cercada, ter água por perto (para baratear a irrigação, caso necessária) e ter estrada próxima (para escoar a produção). Da semeadura à colheita são de cinco a seis meses. São Francisco de Paula tem oferecido tudo isto aos produtores rurais, como a determinada família da Jiane. Além de cuidar da terra e do que produzem (para nos alimentar), eles cuidam dos próprios sentimentos, sempre pensando que "plantando bem tudo se colhe". Salve os Lauxen!!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Pati Leuck, pela boa educação

Ela se chama Patricia Leuck, nasceu em Gramado (RS), trabalhou no Chocofest. Nos conhecemos lá. Ela como coelhinha recepcionista e eu, como bonecão no desfile. A Pati se tornou pedagoga e atualmente trabalha em Caxias do Sul (RS).


Olha a Pati, em raro momento de braços cruzados


Quando perguntei a ela o por que de fazer pedagogia ela disse “me fascina, acho surpreendente e inquietante a forma como se dá a aprendizagem no ser humano”.

Dinâmicas coordenadas por ela
A pedagoga Pati atualmente se divide em pedagogia e psicopedagogia. Trabalha com crianças e adultos. “Trabalho no Colégio Madre Imilda, com uma turma de alfabetização, e o outro meio turno me divido na parte de Assessoria pedagógica para instituições de ensino, empresas e prefeituras. Com a psicopedagogia em um Centro; Mosaico Centro Dia que atende portadores de Transtorno Global de Desenvolvimento - Autistas e Múltiplas deficiências”.

Ela se mostra realizada com a pedagogia quando auxilia seus alunos ou pacientes a superarem dificuldades. E quando ajuda os colegas de profissão a refletirem sobre suas escolhas. “Educação pra mim é vida, é civilidade, é um norteador”, completa a Pati.


Patricia é da ala dos que defendem que professor tem que ter vocação! “Sempre falo que devemos ter um olhar que encanta (adoro este pensamento de Rubem Alves)”.



Importante para quem quer ser pedagogo? De cara ela ressalta a leitura. “Leio muito. Um educador precisa estar sempre em busca do conhecimento, a aprendizagem humana é uma caixinha de surpresas, precisamos saber, entende-la um pouco para poder diagnosticar, avaliar e auxiliar cada aluno. Hoje tenho a certeza de que o quê sei não basta, preciso estudar muito e agregar mais ao conhecimento, pois a cada dia recebo um aluno novo, uma realidade nova, com suas especificidades particulares e tenho que buscar uma forma de como poder mediar sua construção do conhecimento”, explica a pedagoga apaixonada.



E para quem é apaixonada pelo trabalho, pela família, pela vida (ufa!) correria faz parte!

A Pati começa com risada quando pergunto como é sua rotina. “Hihihihi.... Correria total, o dia para mim poderia ter 48h, acho que assim conseguiria arrumar um tempinho no final da tarde ou da noite para poder curtir a Patricia, porque é punk, administrar profissão, casa, filho, marido e ainda estar bem humorada e disposta ao final do dia. Mas te digo uma coisa bem certa: Não troco está minha vida por nada do mundo, ela é perfeita desse jeitinho, não gosto de calmaria, até porque não sou nem um pouco calma. Brinco sempre que sou uma criança hiperativa”. E a guria fica braba quando criticam sua profissão, “é a única profissão que todos sabem, palpitam, mas na hora H ninguém faz nada. Quando ouço ou leio algumas pérolas sobre o magistério, sempre questiono quanto tempo essa pessoa conseguiria ficar dentro de uma sala de aula com 25 alunos”. Ela ainda completa “sou aquela pessoa que não esconde sentimentos, as pessoas vêem de cara o que estou sentindo, sou muito emoção. Mas sou muito mais intolerante do que brava”.





Pedagogia é um trabalho onde se enfrenta resistências de outras pessoas. Pati sabe disto, está consciente. “Por incrível que pareça a maior resistência encontro dentro das escolas, quando trabalho com educadores. Mudanças sempre geram uma certa resistência. E a Educação está mudando, a forma como ensinamos está mudando, e nossos alunos não são os mesmos de algum tempo atrás. Se não pensamos assim, se não buscarmos mudanças encontramos sérios problemas em sala de aula. E também com os pais, é difícil admitir que nossos filhos são nosso reflexo, que muitas vezes o problema está nos pais e não nos filhos. É bem complicado!” E mesmo assim ela não desiste. Mesmo convivendo com comodismo, julgamentos e pré julgamentos, seu maior prazer é levantar todos os dias e ir para o trabalho.



E existe algum segredinho para conquistar as pessoas quando tem que fazer dinâmica com grupos? “Quando se faz uma dinâmica, temos que pensar no que queremos transmitir, onde queremos tocar as pessoas. Quando penso em dinâmica, logo me vem à mente o desequilíbrio. Porque só causando o desequilibrio é que consigo uma assimilação para chegar ao resultado final da acomodação. Esta é a teoria de Piaget para se alcançar a aprendizagem. Nós seres humanos estamos sempre nestes três estágios: desequilibro - assimilação - acomodação.


Atualmente a Pati está terminando a pós em psicopedagogia clínica e institucional, “onde me completei como profissional e até o final do ano que vem (2012) quero montar um centro de aprendizagem nos moldes dos centros da Argentina.Meus planos são de montar em São Francisco, mas implicaria uma série de fatores logisticos e profissionais. Então ainda está só no papel”. Quem se habilita a colaborar com ela?



Quando o assunto é filho, o Alexandre, Pati aplica teoria e mostra na prática. “Apesar de muitos acharem que fico só na conversa, funciona sim, procuro educá-lo na teoria piagetiana e de Içami Tiba ( que acho " O cara"): ser autonômo e responsável pelos seus atos. Acho que está dando certo, as vezes chego até passar vergonha com ele. (e como mãe acho ele o máximo, né ! hihihihihi)”.


Pati já tem três artigos (baseado em inclusão) publicados no site www.psicopedagogiaonline.com.br e www.psicopedagogiabrasil.com.br, e na revista Sentidos. “Um, que foi publicado nos dois sites, relata a importância das oficinas psicopedagógicas dentro da instituição escolar, e o outro é um estudo de caso, de um menino, baseado na epistemologia genética, na psicanálise e da neuropsicologia para buscar uma intervenção para sua dificuldade



E quando não é pedagoga? Onde está? “Estou reunida com a família e amigos. É muito corrido, viajamos muito, não paro quase em casa, nem meu marido, pois viaja muito. Então temos os finais de semana que são sagrados para nós. Adoramos jogar imagem e ação com a família, uma boa conversa, um bom vinho, acompanhados da comidinha do marido. Até aprendi a andar (ou ficar em cima do cavalo) para acompanhar o Mauricio e o Xande nas cavalgadas”. Falou a mamãe, mulher, pedagoga e apaixonada pela vida, Pati.



terça-feira, 3 de maio de 2011

Sobre as madrinhas

Meu final de semana foi conturbado. Um misto de euforia com a matéria/entrevista na Zero Hora e uma tristeza pesada. Na sexta-feira faleceu a Zeti. Uma moça de 37 anos (que me ajudou quando a Maria Rita nasceu), grávida de sete meses, teve um aneurisma e uma trombose abdominal. Os médicos fizeram uma cirurgia/cesariana de emergência para salvar a criança, uma menina. Mas a Pietra estava morta.  A Zeti, em coma, faleceu horas depois. Ficaram três filhos: Julie (18 anos), Bruna (13 anos) e Ryan (07 anos). A Julie, por ser maior, pode pedir a guarda dos irmãos menores, mas não tem residência fixa, nem tem como se sustentar e sustentar os pequenos. Aí entra a minha mãe, que é madrinha dos três.

Para que servem as madrinhas? Pensei muito nisto quando escolhi as três madrinhas da Maria Rita. Minha irmã, Cintia, e a Cristina, sobrinha do João, são madrinhas na Igreja Católica e a Tati, minha irmã de criação, na umbanda. Isto mesmo, gente! Eu acredito no sincretismo religioso e quero que minha filha conviva bem com isto.

Estas três mulheres foram escolhidas a dedo. Fiquei me perguntando sobre o que era preciso para ser uma madrinha. Dar presentes caros? Paparicar? Endeusar minha filha? Não. Madrinha é aquela pessoa que pode ser mãe do teu filho. Eu penso assim e assim fiz minhas escolhas. A Cintia, a Cristina e a Tati são pessoas que admiro muito. Admiro a conduta de vida delas e se eu faltar para a minha filha, gostaria que elas criassem a Maria Rita.

Voltando ao final de semana, a Zeti pensou assim. Antes da cesariana, ainda consciente, ela chamou a minha mãe e disse que entregava os três filhos para ela. Para a madrinha.

Em tempos de consumismo, de celebridades instântaneas, de falsos valores, de tédio e muita loucura, as pessoas não pensam sobre a importância da madrinha. E a fada pode estar mais perto do que se imagina. Pare para pensar ao fazer escolhas.

P.S: perdi um irmão mais moço quatro anos atrás. Agora a vida me deu três numa tacada só. A cabeça balança, mas o coração se alegra. Depois da tristeza, sempre vem uma grande alegria.