sábado, 20 de agosto de 2011

Karin Lange, esculpindo uma vida mais justa e sustentável

Karin sempre gostou das cores. “Quero te dizer que sempre gostei de colorir tudo que eu tinha e também de fazer artesanato” e assim Karin Lange começa a contar sua trajetória pelas artes.





"Desde pequena fiz cursinho de pintura em gesso, pedrinhas com durepoxi, pintura, cerâmica, desenho, meus pais me apoiavam e incentivavam. Isto foi muito importante. Em 1996, me formei na UFRGS. em Artes Visuais - ênfase em Escultura - e lá na faculdade convivi com professores ótimos e outros nem tanto, mas minha bagagem artística cresceu demais, foi maravilhoso aprender diversas técnicas e poéticas visuais, inclusive com os colegas,” conta a escultora que não se abate perante as surpresas da vida.



“Trabalhei com artes até 1999, quando por um revés da vida, me separei e "fiquei" secretária até 2007. "A vida só é dura pra quem é mole", né?! Tive que sustentar a mim e a minha filha e tocar a vida, mas continuei ligada nos eventos e recortava tudo de artes que encontrava. Formei uma caixinha que nunca cansei de vasculhar, com textos e  convites que fui arquivando”, relata a moça entusiasta.



“Voltei a produzir, super feliz, em 2007, quando casei novamente e optei por uma melhor qualidade de vida, sem aquela locurada de 14h de trabalho e pouco convívio familiar, uma vida mais simples e com mais sentido, a meu ver. Sigo então, refazendo aquele caminho, que iniciei lá trás, também descobrindo outros, agregando conhecimento e dividindo com outros artistas e amigos que não só passam pelo mundo, mas enxergam realmente tudo de belo que Deus criou”. Karin não é de frescuras, é de ação e de esperas planejadas.



Quando passei as perguntas da entrevista e o link do Universo Viale, ela prontamente respondeu. “Estive olhando teu blog e gostei muito. Senti uma grande harmonia na tua relação com São Chico (a cidade São Francisco de Paula, onde moro e o refúgio da Karin nos finais de semana) e com tuas atividades por lá. Muito bom. A cidade também me faz bem, me acalma, mesmo que eu só consiga curtir nos finais de semana. Vi que gostas dos patos do lago... eu AMO aqueles fofos! Tenho um outro blog só de fotos (outra boa surpresa da escultora), que eu tirei de bichos. A maioria é em São Chico e os patos estão no primeiro item (abril 2010), quando tiveres um tempinho, passa lá pra ver: www.astroanimal.blogspot.com
“.



Karin Lange, teve a oportunidade de experimentar diversas técnicas e gostou muito de pintar com aquarela e acrílico, de trabalhar com gravura e com argila. Mas a escultura já exercia seu fascínio. “Na verdade é uma criatura que vai nascendo na minha frente e minha preocupação com a multifacialidade acaba criando pontos de interesse, ao redor de toda a peça, dá vontade de circular em volta, de tocar, pois os materiais, tanto o cimento quanto a pedra, tem um apelo táctil, que eu reforço com algumas texturas. Encontrei na escultura uma maneira de sintetizar, simplificar as formas da natureza, sempre de uma maneira densas e sinuosas, com um vazado onde a energia circula e o vento atravessa”, explica ela.





Entre os materiais que trabalha estão: madeira, cimento+agregados e pedra sabão. *Com a madeira não tenho trabalhado ultimamente, pois me exige mais esforço físico (já tive tendinite) e leva muito tempo para finalizar. Meu trabalho com cimento+ agregados utiliza a técnica de forma perdida: faço o molde em argila, tiro fôrma do negativo, em gesso, e gero o positivo em cimento e agregados. É forma perdida, porque eu quebro o gesso pra surgir a peça final. Se assemelha a um nascimento, pois depois de 2 semanas, no tanque de água, e uma semana secando, finalmente rompo a forma e me surpreendo com o resultado, uma nova peça, tipo um filho. São sempre peças maciças e exclusivas. O processo está descrito com fotos neste item do meu blog http://klartes.blogspot.com/2010/03/etapas-esculturas-em-cimento.html .”



*Criar na pedra é muito estimulante, às vezes tenho um projeto/encomenda e procuro a pedra que se enquadre ou, outras vezes, vejo uma pedra e ela já me diz que forma devo trabalhar. Com o projeto rabiscado construo o elemento em argila que será meu modelo, meu guia em 3D. Só então inicio o desbaste da pedra com retífica, formões, serra e martelo até que atinja o formato desejado, então vem a fase das lixas, que dão o acabamento com qualidade. Interessante que antes de iniciar a utilização da lixa d'água, eu ainda não sei o tom da pedra e isso é fascinante! Até este estágio meu envolvimento com a pedra se limita apenas a forma e suas linhas sinuosas. Ao entrar com a lixa d'água na peça, sempre me surpreendo com a variação de tons, com a beleza que este elemento natural esconde da gente. Finalizo com cera sobre a pedra quente para dar melhor proteção. Podes ver fotos da criação de algumas em http://klartes.blogspot.com/2010/03/etapas.html  Acho que, por ser um elemento natural, é o material no qual mais gosto de produzir e, depois de pronto, é uma delícia ficar tocando, olhando, sentindo”.
  


Sobre inspiração, Karin diz que explora a fantasia e o imaginário marinho em formas orgânicas. “Tanto o colorido, como o céu e o mar, estiveram sempre presentes na minha pesquisa dos temas, para compor as obras e o resultado de cada uma é a soma de elementos que observo, assimilo, mesclo e simplifico. Com as esculturas também procuro sensibilizar as pessoas para que repensem seus hábitos e ações junto ao meio ambiente, mostrando a importância da preservação das águas. O conjunto das obras, em cimento ou em pedra sabão, possui uma sequência e códigos que se repetem, os quais dão uma idéia do desgaste e da adaptação dos seres marinhos”. E quem disse que meio ambiente não combina com arte? A artista tem certeza de que os caminhos seguem juntos.



Seu trabalho é divulgado pela internet. Pelo site www.klartes.com.br , pelo blog www.klartes.blogspot.com  e outros 2 sites que participo: http://www.artistasgauchos.com.br/    http://www.arteatual.net/art-karin-lange.htm .
Ela também deixa trabalhos, em consignação, em lojas e galerias e faz parcerias com arquitetos (“por isso acrescentei um tópico ao menu do meu site: Obras ambientadas, e nele coloquei fotos das esculturas em locais diversos como escritório, bar, sala da lareira, etc..., explica Karin”).



Vender seu trabalho ela vende. “O mercado das artes é bem peculiar, então não consigo fazer uma previsão certa de entradas e sei que tenho um caminho ainda a trilhar antes de poder me firmar nesse setor. Sou bem realista. Converso muito com outros artistas, a troca é importantíssima, e vejo que a trajetória de um artista tem em média 10 anos de fundamentos e, só a partir daí, se solidifica. Isso não é um problema, é um desafio. Claro que vou sempre me esforçar, porque vender meu trabalho é muito gratificante”. E se não fosse escultora, o que seria? “Professora de artes”, afirma ela.



 Sobre expor seus trabalhos, Karin participa de exposições e procura estar perto do público. “Deixo as esculturas bem próximas para que as pessoas possam senti-las e circular ao redor. Também procuro sensibilizar as pessoas, para que repensem seus hábitos e ações junto ao meio ambiente, salientando a importância da preservação das águas. Episódios, como o ocorrido no Golfo do México, reforçam o alerta de que devemos tratar nosso planeta com mais responsabilidade, conscientes dos limites de nossos recursos naturais. A questão ambiental diz respeito a todos! Minhas esculturas refletem essa preocupação”. Artista decidida, Karin busca um espaço para executar seu próximo projeto, uma exposição individual. “A proposta é apresentar uma exposição para sacudir o acomodado, impulsionar uma mudança de comportamento e contribuir para reduzir as agressões ao meio ambiente. Quero dar visibilidade ao problema da poluição e suas consequências. Trazer à tona este tema e propor alternativas. No mesmo local estariam as esculturas distribuídas, banners discorrendo sobre problemas críticos de contaminação das águas. Ainda estou atrás de uma ONG, entidade para parceria com material didático de distribuição gratuita. Além disto, quem sabe, um momento do público com a artista e integrantes da ong. Como já disse, estou trilhando meu caminho... cada escultura do conjunto tem uma sequência de códigos, que se repetem intencionalmente, demonstrando desgaste e adaptação dos seres marinhos, reforçando minha intenção de representar a metamorfose da criatura, uma espécie única, rara, em extinção”, conclui a artista ambientalista.



Quem sabe a próxima exposição da Karin seja em um lugar bem próximo de nós???? 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O casaco passeador

Era uma vez um casaco muito belo
de fundo preto e aplicações coloridas
dois grandes bolsos
e muitos sorrisos arrastados pelo caminho


O casaco gostava de passear
talvez por causa dos desenhos recortados e costurados
desenhos que remetiam a muitos lugares
deste mundão imenso.

Tinha japonesa. Tinha gato.
Tinha até sininho colorido, que tocava na hora do almoço.

Havia também uma bola
que os meninos de pé no chão
jogavam na rua, de esquina
cheia de flores.

Era a japonesa que cuidava do jardim
colhia as flores para os vasos da vizinhança. só o gato que não gostava
porque ele adorava dormir no meio do perfume do jasmim.

Um dia meu casaco foi almoçar num restaurante
ele adorava passear
conheceu umas moças bem legais
que o abraçaram com braços carinhosos

As moças costuravam, colavam, tricotavam
e faziam outros casacos.
Mas alguém terá casaco tão formoso
quanto o meu?



Casacos são casacos
são de lã, feltro, veludo e até de algodão.
Casacos esquentam no frio, escondem dos outros
ou somente enfeitam meus braços.

Casacos são casacos 
mas quando visto o meu
pelo mundo posso voar.

Casaco vestido
mãos no bolso
e caminho com vento
é outono.

Coloco meu casaco para tomar sol
arejar no varal
é verão para meu amigo descansar.

Enfeito-o com pequenas flores
todas coloridas]faz-se primavera neste novo dia.

E quando o frio do inverno chegar
no meu casaco irei me aconchegar.

A história é minha, uma das moças que costura é Lucia Guaspari, artista têxtil, que cria coisas maravilhosas e pretende inventar algo com esta história. E o casaco é lá do Espaço das Associações (dos Artesãos e Chico Viale), em São Francisco de Paula/RS. E quem souber uma nova história, que gere novos pontos, seja bem vindo!



domingo, 7 de agosto de 2011

Universo Viale na Flona - caminhada com a Caminhos de Cima da Serra

Caminhar não é para qualquer um. Caminhadas são para os fortes de espírito. O corpo aguenta bem, mas a alma precisa estar preparada para o cenário de magia e interação com a natureza. Não é qualquer um que topa o desafio. Caminhar em uma mata, quase intocável, é mudar o espírito, com certeza.



Sejam bem vindos à Flona, Floresta Nacional de São Francisco de Paula. A Unidade de Conservação mais antiga do Rio Grande do Sul, fica em São Chico, região serrana e está aberta para visitação. Desde que você respeite as regras locais:  sempre preservando a natureza.



E assim nós fomos acompanhados da operadora Caminhos de Cima da Serra, com Adão Samir, como condutor, para uma caminhada de duas horas e meia pela trilha das araucárias centenárias. O objetivo era conhecer o trabalho da Flona, ver a flora e a fauna da região para escrever uma matéria para a revista Terra da Gente. Como fotógrafos da expedição, Joana Moreira e Leandro Teixeira, além da equipe da Flona, a Edenice de Souza, analista ambiental, o biólogo Gerson Buss e a acadêmica de Gestão Ambiental, Michele Koch.



O relato aprofundado vai ficar para a Revista, mas como não mostrar os bastidores desta caminhada, que além de uma aula sobre ecologia, também foi um mergulho na espiritualidade. Nada de sinal nos celulares. Som? Somente o da floresta. E as árvores conversam conosco. As aves cantam. Sons antes não percebidos foram sinfonia para nossos espíritos.

Nosso encontro com as araucárias centenárias foi surpreendente. Um senhor e uma senhora com mais de 400 anos. Inteiros, de pé. Majestosos e nos colocando para pensar no que foram estas florestas sulinas anos atrás. E no que estamos fazendo hoje nesta ânsia de termos tudo, de querermos ser tudo.



O corpo nem nota o esforço tamanha a recompensa para o espírito. Podem acreditar nisto.


E mesmo os obstáculos, como atravessar o arroio, se torna um desafio interessante.


Vale experimentar. Quando a Revista estiver nas bancas aviso prontamente. Por enquanto aproveitem as fotos daqui e os mais entusiasmados podem se inscrever na postagem "Seguidores" para participar de uma caminhada com a Caminhos de Cima da Serra. "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena", escreveu o poeta português Fernando Pessoa. E as nossas não são...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Idéia para correr o mundo

Seguinte gente: moro numa casa à beira do Lago São Bernardo, em São Francisco de Paula/RS. Uma casa colorida que chama atenção e é muito fotografada. Pensando nisto surgiu a ideia de montar a instalação "Por mais um doador de sangue", no aramado, aqui em frente da casa. Uma instalação para ser fotografada e promover reflexão.

Serão quadrados vermelhos feitos em técnicas diversas (crochê, tricô, patch, fuxicos, pintura... vale até poesia), assinados, que serão amarrados neste aramado. Precisamos de centenas de quadrados. Precisamos de gente que queira participar com sua arte, sua habilidade.

Os quadrados serão fotografados por muitas outras pessoas e a ideia de um doador de sangue a mais irá circular o mundo... a promoção é da Associação Chico Viale.

Quer participar? Deixe comentário. Aguardamos teu quadrado!!!