quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Por que virei coladora?


Em 2001 fiz um auto exílio na Suíça, em função de um casamento. Jornalista no Brasil, lá me descobri uma analfabeta. Além de precisar aprender uma língua totalmente estranha, que era o alemão, na época, descobri que nem sempre a língua que se escreve é a língua que se fala. A Suíça é dividida em cantões independentes (como estados que são autônomos) e em quatro regiões linguísticas, o alemão, o francês, o italiano e o retro romano. Eu fui morar na região alemã. Muito fácil até então. Na prática descobri que eu precisava escrever em alemão, mas falar dependia da cidade onde estava. Falava-se dialetos locais. Como se fosse o suíço, que mudava a cada poucos quilômetros.



Outra descoberta foi a não validade do meu diploma de curso superior. Justo eu que me orgulhava de ter cursado jornalismo na faculdade que era considerada a melhor da América Latina.

Diante de tantos "não" e percebendo que, o exílio escolhido teria que acontecer por um tempo mínimo de um ano, fui atrás de algo que me salvasse. E descobri a arte. Na época, havia um casarão que era conhecido como a Casa dos Dadaístas, o Cabaret Voltaire. Tinha sido lá que o movimento iniciara em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. O casarão tinha sido vendido, seria derrubado e lá um prédio moderno abrigaria novos negócios. Me interessei por este movimento, o dos dadaístas sobreviventes ou somente admiradores do "ismo" e passei acompanhar as notícias nos jornais, além de fazer visitas regulares ao local e pesquisas na internet sobre o assunto. Os dadaístas ganharam um sala na Universidade de Zurique para seus encontros e eu consegui uma vaga de aluna ouvinte nas disciplinas de Narrativa Angolana e Língua Portuguesa, na Universidade de Zurique, tamanha era minha curiosidade.

Não consegui me aproximar dos dadaístas, mas fiz ótimas pesquisas na Universidade que refletiram no trabalho de colagem que iniciei. Nas colagens, um retrato do que eu via e sentia. Uma profunda desfiguração da sociedade e dos indivíduos. Era o 11 de setembro acontecendo. Era os asilos políticos sufocando uma Europa, que mostrava a sua xenofobia. Era uma mulher, que apesar de tudo, se desmontava e se remontava tão longe das suas origens.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

VESTIDOS!!!!!


O que é o Varal Solidário?

A ideia surgiu de uma paixão por vestidos e por achar que eles combinam com primavera e com mulheres felizes. Sou voluntária da ONG Amigos de Rua, que castra animais de rua e propaga o respeito aos bichos, em geral, e da Associação Chico Viale, que estimula a doação de sangue e de medula óssea.  A Amigos de Rua enfrenta dificuldades financeiras e pensei em uma mobilização que arrecadasse dinheiro, encantasse as pessoas envolvidas e mostrasse que o simples é o melhor negócio.



Dai veio a imagem de um vestido esvoaçante. E em seguida de um varal cheio de vestidos esvoaçantes. Tava criado o Varal Solidário. Vestidos doados (usados, mas em bom estado) que seriam vendidos para angariar fundos para a entidade e que mostrariam para as pessoas como é fácil provocar uma mudança.



A chamada foi: Doe um vestido! Um vestido pode melhorar a realidade e muitas vezes as pessoas não percebem esta sutileza. Os pedidos começaram no facebook, invadiram o boca a boca e depois de um mês, cerca de 130 vestidos chegaram para o Varal. Vindos de Porto Alegre, Gramado, Canela e São Francisco de Paula, as peças coloridas serão expostas no dia 13 de outubro (sábado), das 9h às 17h (sem fechar ao meio dia), na sede da Associação Chico Viale e dos Artesãos de São Chico (avenida Julio de Castilhos, 898 – São Francisco de Paula). Será um dia de contemplação e venda desta corrente solidária.



Unir as entidades de São Francisco de Paula para ganhar força foi mais um dos objetivos. Por isto a junção da ONG Amigos de Rua, Associação Chico Viale e Associação dos Artesãos de São Chico. Quanto maior for a união de entidades sociais, maior será o engajamento da sociedade. E isto se confirmou no número de vestidos doados. A meta era arrecadar 50 vestidos. Chegou-se à 130 peças. E muitas pessoas estão me procurando pedindo para doarem seus vestidos.



Esta é a história do Varal Solidário, que venderá suas peças no dia 13 de outubro e reverterá a renda para a Amigos de Rua. Um vestido pode mudar muita coisa!