segunda-feira, 22 de julho de 2013

Lugar para morar e produzir... em São Chico!


Na localidade de Guabiroba, em São Francisco de Paula, existe um lugar perfeito para morar e produzir. Abrir as janelas da casa e ter uma vista para o Vale Paranhana é inspirador para começar o dia. São 34 hectares divididos em três módulos, com benfeitorias, área para criação de ovelhas Ile de France, canis, trilhas, mata nativa, água de vertente e casa com 240 metros quadrados. Luz monofásica, gerador dentro da casa, terreno totalmente cercado, aquecedor elétrico nas torneiras da casa, sistema de alarme.






Aqui se pode morar, sonhar e produzir. Se pode montar um hotel para cachorros, com trilhas guiadas. Ou criar ovelhas e produzir queijos, investir na feltragem. Também é lugar para empresas de ecoturismo. Também é possível plantar frutíferas de clima temperado, como mirtilo e amora, e vender a produção pela região. O sítio fica bem próxima da rodovia.











Negócio produtivo em São Francisco de Paula. Para maiores informações 54 9925.5761.

domingo, 26 de maio de 2013

A Estradinha




Gosto de caminhar com sol nas costas. No início caminho como exercício. Rápido. Bem marcado. Determinado. Aos poucos cada passo torna-se uma fantasia. Uma visão do longe. Um pensamento gostoso que esboça um sorriso maroto.

Sou assim. Ou melhor, caminho assim. Perto de minha casa há uma estradinha de terra. Curvas e retas. Mais curvas eu diria. E isso fazia tudo mais divertido. Como um labirinto mágico. Como mil surpresas depois do fechar os olhos.

Sempre insisti nessa procura pela tal estradinha. Caminho sinuoso. Era puro prazer chegar àquele pedacinho do faz de conta. Que de conta tinha muito e pouco do quase nada. Um dia me perdi nesse mundão sem direção, nem rumos definidos. Perdida e até asfixiada. Com a sensação de nó na garganta. E se for para dramatizar, com uma vontade incrível de morrer.

Foram dias tristes e depois dessa fase escura, casei. Casei. Talvez para fugir daquele turbilhão.

Eu pensava assim: casar é ajeitar a casa inteira, estabelecer novas metas, pendurar prateleiras e ter a certeza de que será possível ser feliz. Eu procurava por isso. Por essa situação clara e transparente.

No início você acha tudo com cara de novidade e superável. Você vê a cozinha como aliada e a casa, uma confidente. Você vê carinho em cada gesto e a sua dedicação torna-se rotina. Só que os dias e as noites alternam-se e você não se dá conta que o passo bem marcado, a postura bem certa já são coisas do passado. E um passado tão próximo. Nesses momentos eu lembrava dos conselhos de minha mãe: “não case”, “seja livre”. E o mais bonito: “Seja você”.

Onde guardamos as sábias palavras de nossas mães? Talvez no fim da estradinha, quando eu desistia de caminhar até o fim. Se ao menos eu soubesse pensar que separação não é um fim, porém um recomeço ... na verdade eu me negava a pensar de tal modo. Começar algo para terminar assim? E a face guerreira? A luta, a reconquista? Eu estava acuada, mas não derrotada, apesar da pouca esperança em continuar.

Nos poucos anos de casamento eu havia engordado. Um pouco. Mais ou menos. Para ser exata quase 17 quilos. As formas já sem curvas afligiam o espelho e meu ego. Decidi iniciar minhas caminhadas. Como se eu caminhasse diariamente pela estradinha. Cinco vezes por semana. Questão de uma hora. Pela manhã. Sem questionar. De cabeça erguida. Até para disfarçar a papada. Acordar, vestir-se e caminhar.

Em todas as manhãs sentia-me uma mulher de fibra, de coragem. Um futuro bonito aproximava-se e era real. Eu seria feliz, uma profissional realizada, com um corpo amado e com a alma livre.

O ato de caminhar estava mexendo com meu ego, com minhas emoções. A estradinha dava voltas em minha cabeça. Mostrava-me como era fácil reassumir minha identidade. E com essa nova maneira de ver a vida reencontrei ele. Procurou-me para saber como eu estava. Convidei-o para entrar. Em minha casa.

Respondia suas perguntas com algo mais (que depois descobri ser maturidade). E amei seu olhar. Admirei sua boca e suas mãos nervosas. “Você está bem? Realmente? Falta alguma coisa? Por que isso aconteceu conosco?”
Pouco respondi, mas muito amei sua preocupação e entreguei-me àquele meu antigo amor, sentado em minha frente. Beijei-o como nosso primeiro beijo. Num misto de pudor e ansiedade. Com o calor aumentando pelo corpo cada vez que sua língua encostava a minha.

Acariciei seus cabelos e mordi sua orelha. De olhos fechados. Num sopro de eterna fantasia, um faz de conta que destroi todos nossos problemas. Não pensei no que acontecia entre nós, eu só desejava recuperar algo perdido e que encontrei no meio da estradinha. Tirei sua camisa e esfreguei seu peito. O tato despertado. O cheiro redescoberto. E a vida sendo possível em um momento de crise. Despi meu homem e eu o amei. Sem me importar com horários, com a flacidez natural de meu corpo, o cartão de crédito e todo tipo de picuinha barata do cotidiano.

Eu lambi meu homem. Mordi. Beijei e gozei. Gozei com meu homem como uma menina. Aquela que eu havia sido. Talvez nada restasse depois desse encontro. Talvez a vida se refizesse ou nada mais se encaixaria. O futuro, nesse instante, não era indispensável.

E se as coisas piorassem ainda haveria a estradinha.


O Filho




A mulher está na cama, aos prantos.
O homem chega com um copo.
H – Trouxe água de melissa. Vai ajudar a acalmar. Tome em pequenos goles.
A mulher bebe compulsivamente a água enquanto o marido se deita, apaga a sua luz de cabeceira e se cobre. A mulher larga o copo na sua mesinha de cabeceira, olha espantada para o marido e se põem a chorar e gritar. O marido, assustado, pula na cama e acende a luz.
H – O que foi?
M – Você nem se importa comigo!
H – Eu não me importo? Mas trouxe até água de melissa.
M – Você sequer que saber o motivo do meu choro?
H – Desculpe-me. Por que você está chorando?
M – Estou triste. Muito triste com a morte do Preto.
H – Querida, o Preto morreu há cinco dias. Fizemos tudo que era possível para salvar aquele cachorro. O veterinário foi incansável. Era a hora dele.
A mulher soluçava e olhava para o marido.
H – Está mais calma?
M (chorosa) – Não!
H – Você precisa aceitar a morte do cachorro. Quem sabe adotamos outro? Existem tantos animais abandonados precisando de um lar...
A mulher interrompe com um choro ainda mais soluçado. O marido fica atônito.
M – Eu não quero ter outro cachorro!
H – Está bem! Então não teremos outro cachorro, mas você precisa me dizer o que você quer.
A mulher senta na cama. O marido senta na cama e os dois se olham seriamente.
M – Eu quero a sua opinião!
H – A minha opinião?
M – Sim!
H – E que opinião?
M – Você quer ter ou não quer ter um filho?
H – Um filho?
M – É, um filho.
H – Mas porque esta pergunta agora?
M (fala rápido e gesticula muito): Porque você nunca me diz se quer ou não ter um filho. Você diz que eu devo decidir, mas na verdade isto é omissão. Você não quer se responsabilizar. Vocês não quer emitir sua opinião. Você é omisso e joga toda a escolha nas minhas costas. E como vou escolher sozinha? Filho é custo. Claro que também alegria, mas o dinheiro da nossa viagem para Salvador terá que ser utilizado para o berço, as fraldas. E quando a criança entrar no colégio? Quanto gastaremos em material escolar? Conhecer Nova York nunca mais, nem em sonho! Eu não vou mais dormir, vou ter que ficar em casa passando a tabuada e nos finais de semana você terá que ir àqueles campeonatos de futebol da escola. Isto se for menino, porque se for menina vai sobrar tudo para mim. Tudo! Vestir, brincar com as bonecas, arrumar o cabelo, assistir as aulas de ballet, falar sobre camisinha... que horror! É muita coisa!
H – Meu amor, um momento, por que tanta aflição?
M – Porque minha menstruação deveria ter vindo hoje e não veio. Por que eu parei de tomar a pílula? Fiquei tão emocionada vendo minhas amigas grávidas. Era tão lindo!
H – Então, que mal tem em você estar grávida?
M – EU NÃO QUERO TER FILHOS!!
H – Então não teremos.
M (aponta o dedo na cara dele) – Viu como é fácil para você? “Então não teremos”. E pronto.
H – Mas você não queria a minha opinião?
M – Sim, mas não quero que você concorde comigo. Quero que você diga o quê pensa, o quê sente.
H – Por mim tanto faz. Se tivermos um filho será maravilhoso, se não tivermos também será maravilhoso. Eu gosto muito de você. Isto é que interessa.
M – Por que é tão difícil você se afirmar? Qual é o problema de dizer sim ou não? Eu preciso saber o quê você quer...
H – Para mim tudo está bom. Ter um filho será maravilhoso e viver com você, sem filho, será maravilhoso. É simples.
M – Como pode isto? Você tem que se posicionar, dizer sim ou não...
H – Para mim o que quiseres está bom.
M – Como o quê eu quiser?
H – O que você quiser?
M – Eu não quero ter este filho!
H – Este filho? Mas então, você está grávida?
M – Eu não sei! Meu corpo está estranho. Fazem seis meses que não tomo pílula. Choro o tempo todo, fico enjoada...
H – Isto é psicológico. Você não está com cara de grávida.
M – E preciso ter cara de grávida? Os sintomas não valem?
H – Claro que os sintomas valem, mas você pode estar impressionada. É isto! Muita gente falando em gravidez, criança. É isto que está acontecendo: muita influência.
M – Será?
H – Claro! Pode ter certeza que é isto.
M – Mas...
H – O quê?
M – E se eu não estou grávida e não quero engravidar, então nós devemos conversar.
H – Conversar?
M – Sobre eu não ter chance de engravidar.
H – É você voltar a tomar a pílula e tudo ficará bem.
M – Eu não quero voltar a tomar anticoncepcional.
H – Então eu uso camisinha.
M – Bem capaz. Você fala horrores da camisinha, que é desconfortável, que é difícil de lembrar, etc e tal.
H – Mas se você não quer tomar a pílula, eu posso usar camisinha.
M – Você pode esquecer. È muito perigoso. Por que você não faz uma vasectomia?
H – Como é que é?
M – Vasectomia. Eu li sobre isto. É simples, rápido. Nem precisa ficar muito tmepo no hospital.
H – E por que você não faz uma laqueadura?
M – Porque eu não tenho a idade exigida, não tenho os três filhos recomendados. Eu poderia fazer em clínica particular, mas será uma fortuna e daí teremos que usar o dinheiro do carro novo. Além disto eu terei que ficar no hospital, por causa dos cortes, dos pontos. Não parece muito sofrimento? A vasectomia é mais fácil.
H – Sim e eu posso ser castrado?
M – Você está sendo egoísta. Estamos falando da nossa vida como casal. De sacrifícios em comum. Não foi isto que prometemos ao casar? Não é para isto que vivem juntos um homem e uma mulher? E mais: será que você não percebe a minha insegurança? O medo que tenho de engravidar? Eu  preciso de ajuda e não de críticas. Se você viesse me propor algo assim e, se eu fosse você, nossa! Como eu entenderia! Como eu apoiaria!
Faz-se silêncio entre eles. O homem se aproxima e passa a mão nas costas, na cabeça da mulher, que está de costas para ele.
H – Desculpe. Não foi minha intenção te magoar.
M – E...
H – Se para você é tão importante, eu vou procurar um médico e conversarei sobre a vasectomia.
M (surpresa) – Você fará isto mesmo?
H – Sim. Amanhã eu procuro um médico. Agora vamos dormir. Estou cansado.
M – Boa-noite!
H – Boa-noite!
Passa o dia seguinte e o casal se prepara para dormir. Na cama, a mulher passa creme nas mãos e o homem arruma o travesseiro.
M – Você foi ao médico?
H – Fui.
M – E...
H – Não tive coragem de falar na vasectomia.
M – Por que?
H – Eu estava diante de um homem, provavelmente viril, que fabrica os seus espermatozóides, não consegui me imaginar conversando com ele sobre a minha castração.
Mulher apenas olha para ele. Fica em silêncio.
H – Foi uma situação constrangedora. Eu, sentado, na frente do médico, pensava em como dizer aquilo. Eu tinha ensaiado em casa como dizer cada palavra, mas na hora fiquei mudo. O médico perguntou o motivo da consulta. Eu fiquei gaguejando e consegui dizer consulta de rotina. Então ele me examinou, disse que eu estava bem, que não precisava me preocupar, etc, etc, etc e tal. Foi assim.
A mulher continua em silêncio.
H – Será que você me entende?
M – Sim.
H – E não vai dizer nada?
M – O que vou dizer?
H – Sei ! Qualquer coisa, mas diga algo. Se está braba, se está aliviada...
M – Aliviada?
H – É, aliviada por ainda podermos ter filhos...
M – Você disse que não queria ter filhos.
H – Pois é, mas será que tudo isto não foi um aviso? Eu não consegui falar e você sabe que eu consigo falar. Então, eu fiquei pensando, após sair do médico, que talvez tudo isto tenha sido um sinal. Talvez seja hora de termos um filho.
M – Será?
H – É, será? Também fiquei me perguntando. Vim pensando desde o consultório. Passei o dia pensando. Pensando na nossa família, numa casa grande, com um pátio enorme, cachorros correndo e...
M – E...
H – E nossos filhos correndo e brincando.
A mulher, muito assustada, deita-se e cobre-se com a coberta até o queixo.
H – O que foi? Falei besteira? Não gostou?
M – Era para gostar?
H – Sim. E pensei que você gostaria de pensar, conversar sobre o nosso futuro.
M – Não está bom assim como está?
H – Está. Claro que está bom, mas é que ter filhos faz parte de um casamento. É uma evolução, continuar o que está dando certo, melhorar...
M – Pode ser.
H – Então?
M – Então?
H – Vamos ter um filho?
M – Eucom muito sono, podemos conversar amanhã?
H (chateado) – Podemos. Boa-noite!
M – Boa-noite.
As luzes são apagadas.
Na noite seguinte, o casal deitado na cama. O homem está querendo puxar conversa e a mulher está lendo uma revista.
H – Podemos voltar a conversar?
M – Conversar sobre o quê?
H – Sobre termos um filho.
M – Ah! A conversa que iniciamos ontem...
H – Esta mesma.
M – Sim, o quê você quer saber?
H (exaltado) – Eu não quero saber! Eu quero conversar sobre termos um filho.
M – Sim.
H – Sim? É isto que você diz? Você não tem vontade de ter um filho? Eu quero conversar sobre isto, sobre o nome que ele poderá ter, o quarto, os brinquedos, plano dês aúde, aniversário de um ano...
M – Quanta coisa!
H – É, realmente ter um filho envolve muita coisa, mas também será muita alegria. Você pensou nisto?
M – Não! pensei nas fraldas sujas, nas noites sem dormir, no meu corpo engordando, nas cólicas do nenê, nas viagens que não faremos, nos choros. Existem alegrias mesmo?
H – Claro que existe! E muitas! E nós poderemos continuar viajando, jantando fora. É se planejar. Vamos contratar uma empregada, uma babá. Vamos nos programar para esta nova vida.
M – É.
H – É!
Mulher fica quieta.
H – Então? Vamos pensar no nosso filho, encomendar nosso filhote?
M – É. Mas se você prometer que depois deste nenê nascer, você fará vasectomia.
O homem fica surpreso e dá de ombros, mas beija a mulher.

FIM



domingo, 5 de maio de 2013

Doze anos depois... tempo de reflexão!

Em 2001 eu fui para a Suíça, de mala, livros e muita imaturidade. Casei e fui. Tudo muito complicado para quem não sabia nada de suíço e alemão. Tudo muito difícil para quem era uma princesinha, que nunca tinha saído de perto de mãe e pai. Mas eu fui e vivi. Me iludi um monte. Achei que as portas se abririam para mim, por eu ser uma jornalista brasileira, de olhos verdes. O mundo me esperava, dizia minha ilusão maior. Na realidade eu sequer fui percebida.

  Tudo estava quieto, até que hoje assisti "Toi, Moi, Les Autres", um filme francês muito legal, leve, musical, mas que trata sobre a questão da imigração européia. Aquele foi o estopim para lembrar de momentos duros e bons. Para recordar que existem diferenças, sejam de cor de pele ou de origem. Existem diferenças provocadas por não se dominar um idioma. Às vezes parecemos tanto e um cruzar de oceano nos transforma nuns "piolhos" insignificantes. Quanto tempo me senti um nada, por ter sido um cisco num território alheio. Eu não sabia viver, só sabia observar. Só sabia fotografar e escrever. Aprendi a colar lá. E, quietinha, uma tal maturidade foi crescendo. Foi me preparando para a escolha de vida que fiz hoje: ajudar os outros! A Suíça foi minha escola, minha preparação para a vida que tenho hoje! Aprendi a pensar nos outros. Aprendi a me colocar no lugar dos outros. Aprendi a tolerar. Aprendi que o diferente pode ser legal. Aprendi, aprendi, aprendi!!! A imaturidade tem um ar de graça, de deixar a gente bonitinha, mas a maturidade tem a paz de espírito. Obrigada de coração Suíça por me fazer mais gente!!!! Ainda volto para te visitar e te mostrar que nosso tempo de convívio acabou me fazendo muito bem!




Bern, capital suíça


Vista da janela da cozinha


Vista da janela do quarto (eu morava em frente à estação de trem)

sala do apartamento

Vista da janela da sala

Estação de trem, em frente ao prédio em que eu morava, em Brugg



Inverno

Mais inverno

Euzinha

Matéria de jornal sobre a neve

A sala era um verdadeiro ateliê de costura e colagem em papel

Carne - Muito cara!!!!!!

Colagem feita lá


Mais colagem

E colagem...

E colava ainda mais!

Eu recolhia papelão, jornal, revista e levava para casa para colar

Mapa de Paris com colagem (depois da ida à Paris)

Colar calava a angústia

Matéria sobre a economia da Suíça: estagnada em 2001/2002

Dia a dia na casinha

Mulher de pernas fechadas: como a mulher imigrante passa trabalho!!

Colagem


telhados de Brugg

campos para caminhar nos arredores e Zurique, cidade que eu amei!

Zurique

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Rita Gil, a madrinha do Varal Solidário

Era uma vez uma artista que virou minha amiga. Rita Gil é daquelas pessoas que se admira, que se encanta. Não só com a sua arte, mas com o seu jeito de tocar os momentos e fazer deles instantes especiais. Natural de Gramado, sua alma circula por um mundo de anjos e seres de luz. Não foi à toa que ela foi escolhida para ser a madrinha do Varal Solidário, evento que acontece em datas especiais, convocando a mulherada para doar bolsas e vestidos, que são vendidos em um grande bazar festivo. E que a renda é revertida para projetos sociais, como doação de sangue (realizado pela Associação Chico Viale) e cuidado aos animais abandonados (pela Ong Amigos de Rua).

Obrigada Rita Gil pelo teu desprendimento e teu carinho!!! Nossa madrinha!!












Bazar Universo Viale - Dia das Mães e Varal Solidário de Bolsas




Dia 11 de maio, véspera do Dia das Mães, o encontro em São Chico será no Universo Viale.

Uma casa colorida à beira do Lago São Bernardo, será o lugar para escolher o presente da sua mãe. Enfatizando o preço justo e valorizando o trabalho artesanal regional, o evento também terá a participação da Brocker Turismo, apresentando roteiros de viagens para a família.

Na ocasião, também acontecerá o Varal Solidário de Bolsas. Mulheres da região doaram bolsas semi novas, que serão vendidas, no dia, por ótimos valores.


A renda arrecadada será revertida para a Associação Chico Viale (que trabalha com doação de sangue) e para a ONG Amigos de Rua (que cuida de animais de rua na cidade).

Data: 11 de maio (sábado).
Horário: das 14h às 18h.
Local: Espaço Universo Viale - rua Alziro Torres Filho 1579, São Francisco de Paula.
Informações: 54 9925.5761 ou pviale@gmail.com


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Sobre a teoria do desejo

João, que beijava Carolina e encantava-se com Sandra, amava Maria, que caía de paixões por Otávio. Otávio, separado há anos de Lúcia, vivia só e descrente do amor. Maria não era feliz com João, pois só pensava em Otávio.

Otávio amargurado pelo desamor de Lúcia, não percebia Maria. Lúcia morava na capital porque passara num concurso público e tinha um namorado. E João?

João suspirava pelos cantos e por todas as moças, mas com os olhos vidrados em Maria. Um dia João acordou e perguntou-se "por que amar quem não me ama? Por que desejar o que não se pode ter?" E numa conversa de bar jogou a pergunta para Otávio. Este coçou a cabeça e olhou muito sério para o amigo: "são coisas da vida. E algumas destas coisa não têm explicação".

Conclusão 1: um quase não pensar sobre o que acontece pode ser a melhor opção; João voltou para casa pouco convencido e arremessou a mesma pergunta para Maria. Ela um tanto nervosa, com receio de ser descoberta, gaguejou "não sei. Talvez seja a história do fruto proibido, o fruto mais gostoso". Conclusão 2: a revelação do inesperado, o prazer no que é proibido é uma realidade. Por causa de trabalho, João foi à capital e encontrou Lúcia numa repartição pública. Conversaram rapidamente sobre "como está", "e o trabalho", "a família vai bem". Na hora de se despedirem João não aguentou e tascou a ladainha do desejo.

Lúcia não se assustou, apesar dos olhos arregalados, e comentou "porque somos uns eternos insatisfeitos. Nunca estamos satisfeitos com o que temos. Precisamos mais e mais".

Conclusão 3: o ser humano é ambicioso. Quer sempre mais. Nenhuma palavra ou ideia organizava os pensamentos de João. Maria insistia na tentativa de chamar a atenção de Otávio. Lúcia vivia com o namorado e encontrava-se, toda quinta-feira, com um colega de trabalho num motel. Otávio era visto nos bares da cidade. Sempre muito quieto. E João? Num longo inverno, o teimoso João aventurou-se a escrever sobre a teoria do desejo.

No início achou que a lógica seria sua guia. Acomodou-se em um ambiente ordeiro, comprou canetas, aparelhou o computador. Nada produzia e passou a provar do desânimo. Até que sentiu uma fisgada atrás da orelha. O caos gritava por seu nome. Agota ele escreve um livro sobre o assunto. Alguns capítulos são rápidos. Outros lentos, tanto que se arrastam. Tudo depende da musa que inspira seu momento. Parece que a atual se chama Valquíria e é tatuadora. Dizem que foi dela a ideia tatuar um ponto de interrogação bem grande na nuca dele.

P.S: a pensar, o que inspira o seu momento???????