domingo, 8 de março de 2015

segunda-feira, 2 de março de 2015

Burro, cavalo de carga... até quando seremos?



Para entender desde o início: eu não aprendi a dizer NÃO. Por que? É o que me pergunto hoje. Por causa desta doce mania de não saber dar uma resposta negativa, eu tenho me sentido magoada, machucada há muito tempo. Dias atrás uma pessoa, do meu círculo profissional, alterou a voz para mim, me destratou e ainda disse que não fazia questão alguma de trabalhar comigo. Não consegui responder. Trata-se de uma senhora. E eu fiquei com vergonha de responder para ela. Aliás, eu fiquei com vergonha do comportamento dela. Sim, eu sou tão solidária que me solidarizo com os comportamentos, inclusive os negativos. Ela não deve ter percebido como foi mal educada, mas eu percebi, senti e me envergonhei por ela. Sou uma pessoa de alma simples, beiro o ridículo, a ingenuidade. Também não tenho vergonha de dizer que não entendo algo. Sou muito franca e gosto de ser assim.

O caso é que muitas pessoas se aproveitam desta qualidade e pisam, passam por cima, me desrespeitam. Na época de colégio eu não cheguei a apanhar, mas era debochada. E por que? Porque sou muito na minha, porque não tiro sarro da cara dos outros, porque não sacaneio os outros. Uma vez escrevi um texto para uma gincana. A turma amou o texto, mas disseram que eu não poderia apresentá-lo. Pegaram meu texto e passaram para a menina mais popular da turma. Eu fiquei quieta no meu canto, quase chorando. Num rompante peguei meu texto de volta e disse que se não fosse eu, a apresentar, ninguém mais seria. Final das contas: li meu texto, mas sem minha turma para testemunhar. Todos ficaram do lado da mais popular e inventaram uma outra apresentação. Acho que fui motivo de chacota. Poucos perceberam, mas houve uma ferida. Além do episódio da senhora mal educada, nos últimos dias, Maria Rita trocou de colégio, foi para a primeira série. Para mim, o colégio é enorme! Imagina para a minha Pequena. E com esta nova rotina, meus fantasmas da idade escolar acordaram. Medos, medos e mais medos! Lembranças que ainda doem e que estão me mostrando como puxei carga alheia nesta vida. Credo!!!



Sempre me compadeci com os cavalos que puxam carroças. Uma vez parei o carro e bati boca com um carroceiro que judiava de um burrinho. Sabe o que aconteceu? Ele me mandou tomar no cú e seguiu. Eu chorei, por mais uma vez não conseguir abrir a boca. Desde criança tenho este comportamento: para ser aceita, para ser educada, para viver bem em sociedade e até mesmo por medo. E assim fui me calando e me enchendo de carga alheia. Minha costas doem muito. Sim, porque quando a gente não se expressa, o corpo se manifesta em forma de dor e doença. Ainda não fiz doença, mas fiz dor, muita dor. Uma dor que saí das costas, penetra o peito e me faz chorar.

O caso é que não defendo que se saia xingando, gritando. Não! Este tipo de comportamento em nada ajuda, apenas nos coloca num nível mais baixo da evolução. E eu quero evoluir espiritualmente. Não quero andar para trás. E por ter este objetivo é que quero encontrar uma maneira legal de saber dizer NÃO, sem carregar carga alheia.

O pior disto tudo são as lembranças de quando nos agrediram, de quando nos pisaram, de quando foram sacanas conosco. Estas doem mais que bofetadas. Parece que ser gente do bem, nestes tempos, é missão difícil. Eu não quero o que é dos outros. Só quero o que é para mim, o que me foi dado. Preciso largar minha carroça o quanto antes. Preciso aprender a dizer NÃO, porque quem diz SIM para tudo pouco vive da sua própria vida.