sábado, 25 de abril de 2015

Árvores precisam ser plantadas primeiro nas ideias

texto e foto Patrícia Viale




Plantar árvores pode ajudar a melhorar o mundo. Era uma vez Wangari Maathai, bióloga, mãe de três filhos e vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2004. Wangari Maathai foi presa e ameaçada de morte por lutar pela democracia no Quênia (África). Nas primeiras eleições livres de seu país, foi eleita para o Parlamento e tornou-se ministra assistente do Meio Ambiente.

Na sua autobiografia “Inabalável – Memórias” Wangari diz encarar qualquer fracasso como um desafio que a impulsiona a seguir em frente. Na época, seu casamento tinha terminado, a possibilidade de concorrer ao Parlamento eliminada e tinha perdido o trabalho e a casa. Apesar de tudo ela ainda era a diretora-geral do Conselho Nacional das Mulheres do Quênia - NCWK (sigla, em inglês, da instituição) e continuava a desenvolver o Movimento Cinturão Verde.
Incrível como algo pode nos segurar, quando o mais certo era se deixar ir ladeira abaixo. Quando surgiu uma oportunidade para o Movimento Cinturão Verde, e para ela consequentemente, Wangari não hesitou: “Uma tarde, em 1982, eu estava no escritório do NCWK tratando das minhas tarefas habituais quando um homem branco e alto entrou. (...) Ele me disse que se chamava Wilhelm Elsrud e era diretor executivo da Sociedade Florestal da Noruega (...) Conversamos sobre as atividades do Movimento Cinturão Verde e lhe mostrei vários viveiros de árvores(...) O resto, como dizem, é história. Acabei não procurando outro emprego, pois fortalecer e expandir o Movimento se tornou o meu trabalho e a minha paixão. (...) A primeira verba substancial veio do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (...): 122.700 dólares. Nunca na vida tinha visto tanto dinheiro! (...)
Wangari plantou uma idéia.

“Graças a esses recursos, a visão que tive, no início dos anos 1970, se transformou, passando de algumas conversas e uns poucos viveiros de árvores ao plantio de literalmente milhões de mudas e à mobilização de milhares de mulheres. (...). Para restaurar terrenos degradados, tínhamos que cuidar das mudas. Disse então às mulheres:
- Vocês precisam verificar se as pessoas a quem deram suas mudas realmente as plantaram e também se essas mudas sobreviveram por pelo menos seis meses. Só então receberão sua compensação financeira.
É assim que o Movimento Cinturão Verde funciona até hoje. (...) À medida que ele se desenvolvia, fui me convencendo de que precisávamos identificar as raízes do depauperamento. Tínhamos que entender (...) por que havia desnutrição, escassez de água potável, perda de solo arável e chuvas irregulares (...).

Por que estávamos atentando contra o nosso próprio futuro? Aos poucos, o Movimento Cinturão Verde foi se transformando: de um programa de plantio de árvores passou a ser também um programa de plantio de idéias. (...)”, finaliza Wangari Maathai.

Muitas vezes queremos executar algo imediatamente. Outras vezes nos detemos tanto em planejamentos, estratégias e coisas do gênero que não conseguimos agir. Teoria e prática devem caminhar juntas, ou quase juntas. Não temos mais tempo para sermos isto ou aquilo. Temos que ser isto e aquilo também.


Que esta árvore da junção possa ser cuidada por todos. E que as sementes possam ser distribuídas e plantadas. Todos os dias. O Cinturão Verde, de Wangari, tá aí para não deixar dúvidas.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A Estradinha


texto e foto de Patrícia Soares Viale





Gosto de caminhar com sol nas costas. No início caminho como exercício. Rápido. Bem marcado. Determinado. Aos poucos cada passo torna-se uma fantasia. Um pensamento gostoso que esboça um sorriso maroto. Sou assim. Ou melhor, caminho assim. Perto de minha casa há uma estradinha de terra. Curvas e retas. Mais curvas eu diria. E isso tornava tudo mais divertido. Como um labirinto mágico. Como mil surpresas depois do fechar os olhos. Sempre insisti nessa procura pela tal estradinha. Caminho sinuoso. Era puro prazer chegar àquele pedacinho do faz de conta. Que de conta tinha muito e pouco do quase nada.
Um dia me perdi nesse mundão sem direção, nem rumos definidos. Perdida e até asfixiada. Com a sensação de nó na garganta. E se for para dramatizar, com uma vontade incrível de morrer. Foram dias tristes e depois dessa fase escura, casei. Casei. Talvez para fugir daquele turbilhão. Eu pensava assim: casar é ajeitar a casa inteira, estabelecer novas metas, pendurar prateleiras e ter a certeza de que será possível ser feliz. Eu procurava por isso. Por essa situação clara e transparente. No início você acha tudo com cara de novidade e superável. Você vê a cozinha como aliada e a casa, uma confidente. Você vê carinho em cada gesto e a sua dedicação torna-se rotina. Só que os dias e as noites alternam-se e você não se dá conta que o passo bem marcado, a postura bem certa já são coisas do passado. E um passado tão próximo.
Nesses momentos eu lembrava dos conselhos de minha mãe: “não case”, “seja livre”. E o mais bonito: “Seja você”. Onde guardamos as sábias palavras de nossas mães? Talvez no fim da estradinha, quando eu desistia de caminhar até o fim. Se ao menos eu soubesse pensar que separação não é um fim, porém um recomeço ... na verdade eu me negava a pensar de tal modo. Começar algo para terminar assim? E a face guerreira? A luta, a reconquista? Eu estava acuada, mas não derrotada, apesar da pouca esperança em continuar. Nos poucos anos de casamento eu havia engordado. Um pouco. Mais ou menos. Para ser exata quase 17 quilos. As formas já sem curvas afligiam o espelho e meu ego. Decidi iniciar minhas caminhadas. Como se eu caminhasse diariamente pela estradinha. Cinco vezes por semana. Questão de uma hora. Pela manhã. Sem questionar. De cabeça erguida. Até para disfarçar a papada. Acordar, vestir-se e caminhar. Em todas as manhãs sentia-me uma mulher de fibra, de coragem. Um futuro bonito aproximava-se e era real. Eu seria feliz, uma profissional realizada, com um corpo amado e com a alma livre. O ato de caminhar estava mexendo com meu ego, com minhas emoções. A estradinha dava voltas em minha cabeça. Mostrava-me como era fácil reassumir minha identidade.

E com essa nova maneira de ver a vida reencontrei ele. Procurou-me para saber como eu estava. Convidei-o para entrar. Em minha casa. Respondia suas perguntas com algo mais (que depois descobri ser maturidade). E amei seu olhar. Admirei sua boca e  suas mãos nervosas. “Você está bem? Realmente? Falta alguma coisa? Por que isso aconteceu conosco?” Pouco respondi, mas muito amei sua preocupação e entreguei-me àquele meu antigo amor, sentado em minha frente. Beijei-o como nosso primeiro beijo. Num misto de pudor e ansiedade. Com o calor aumentando pelo corpo cada vez que sua língua encostava a minha. Acariciei seus cabelos e mordi sua orelha. De olhos fechados. Num sopro de eterna fantasia, um faz de conta que destroí todos nossos problemas. Não pensei no que acontecia entre nós, eu só desejava recuperar algo perdido e que só encontrava no meio da estradinha. Tirei sua camisa e esfreguei seu peito. O tato despertado. O cheiro redescoberto. E a vida sendo possível em um momento de crise. Despi meu homem e eu o amei. Sem me importar com horários, com a flacidez natural de meu corpo, o cartão de crédito e todo tipo de picuinha barata do cotidiano. Eu lambi meu homem. Mordi. Beijei e gozei. Gozei com meu homem como uma menina. Aquela que eu havia sido. Talvez nada restasse depois desse encontro. Talvez a vida se refizesse ou nada mais se encaixaria. O futuro, nesse instante, não era indispensável. E se as coisas piorassem ainda haveria a estradinha.            

quarta-feira, 22 de abril de 2015

A Dama Safada


texto de Patrícia Viale
foto de Yuri Ruppenthal


         Se eu soubesse como é fácil gargalhar, jamais teria derramado uma lágrima.  Se eu já soubesse que angústia é vencida com cor, compraria ainda ontem metros e mais metros de tule. Vermelho, verde, amarelo e azul. Cortaria saias de todos os comprimentos. Longas, curtas. De todo jeito, menos o gênero discreto. Tudo menos senhorita comprometida. E também iria ler coluna social diariamente. Teria sempre a agenda desses eventos deslumbrados. Marcaria horário com o táxi. Vestiria a saia. Cinta-liga, meia três quartos. Acho que está bom. E por que não, esquecer a calcinha sobre a cama?



Como eu iria rir com barulho. Descer do carro com rosto pintado e fome de emoção. Champagne, madame? Não, obrigado, e de preferência com biquinho. Esperaria a melhor música para dançar. No centro da pista? Não! Numa cadeira. Daquelas forradas. Subiria e dançaria. Nunca quieta. Nunca gueixa. Eu iria sacudir o tule. Mostrar a bunda e alisar as meias. Eu iria dar boas gargalhadas. Com tantas caras embasbacadas e tanto assanhamento nas calças. Eu dançaria até estourar. De vida.

Depois eu fugiria. Ainda roubaria uma flor. A mais bonita. Da mesa da anfitriã. E correria para casa. Desmanchando o penteado. Rindo até chorar. Até borrar a maquiagem. E se preciso fosse, também quebraria o salto. Muitas vezes. Em todos os tons.


Falando nisso, como eram belos os girassoís da semana passada.  

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Catadores de pinhão, defensores da araucária

Vale reler esta matéria publicada na Revista Terra da gente, em 2008.

Texto: Patrícia Soares Viale
Fotos: João Cincinato Lucena Terra


Em tempos de grandes colheitas com máquinas computadorizadas, a arte manual da extração de sementes se mantém na região serrana do Rio Grande do Sul, onde ainda existem as Matas de Araucária ou pinheiro brasileiro. Trata-se de um ecossistema que acontece em altitudes superiores a 600 metros, atinge bom desenvolvimento em 50 anos e forma com suas copas um extrato acima das outras árvores permitindo em seu interior, a formação de uma grande diversidade de espécies vegetais.
A sua semente, o pinhão, é um importante alimento para muitos animais que vivem nas matas de araucárias, como gralhas, pequenos roedores e bugios.



Meados de abril de 2.008 e mais uma vez a família de Selmiro Trentin, 62 anos, natural de São Francisco de Paula, se prepara para a coleta do pinhão. O pinhão é uma semente de valioso teor nutricional. Tanto que era a principal fonte de alimentação de algumas tribos indígenas no sul do Brasil. Sua polpa é formada basicamente de amido, sendo muito rica em vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo e proteínas. Atualmente é muito utilizada na alimentação humana, principalmente no inverno por ser muito calórica.O pinhão se forma dentro da pinha fechada (formato redondo), que com o tempo vai se abrindo e liberta o pinhão. Cada pinha contém de 10 a 150 sementes (ou pinhões ).



A araucária esteve ameaçada de extinção, nas décadas de 50 e 60, quando matas inteiras eram derrubadas e sua madeira exportada. Hoje a araucária, que produz pinhão entre abril e julho, está protegida por lei. Seu formato é singular:o tronco ergue-se reto, sem nenhum desvio e se ramifica apenas no topo, formando a interessante copa, com os ramos desenvolvendo-se horizontalmente, as pontas curvadas para cima; superpostos uns aos outros, formando vários andares. A rotina da família Trentin acontece próxima à Mata de Araucárias. Plantar, criar boi, porco e até galinha. Tudo para garantir o sustento mínimo durante o ano. Na temporada do pinhão, os homens da família, inclusive os meninos, se mobilizam para caminhar entre o pinheral e examinar pinheiro por pinheiro. “Na verdade a gente passa o ano todo cuidando as pinhas. Elas bem pequeninhas e vão crescendo. Vamos cuidando para ver quando dá de tirar”, explica Selmiro. Quando avistam a pinha no tamanho certo, mais ou menos do tamanho de uma bola de handebol (algumas chegam a parecer uma bola de basquete), verde escuro e presa entre os galhos altos da araucária, é hora de preparar as “trepas” nas botas para escalar o tronco de  aproximadamente 20 m de altura. O diâmetro do caule na base pode ultrapassar 2 metros e o da copa 10 metros. É que Loivo Moraes Trentin, 40 anos, filho de Selmiro se prepara para subir. “Subo em pinheiro desde guri e nunca caí, mas tenho medo. Na verdade é receio. Tem que cuidar a passada de um galho para outro e a descida é muito perigosa”, conta Loivo, também conhecido como Nego. Ele disse que, na média, são 20 pinheiros que ele sobe e desce por dia na temporada de coleta. Trava nas botas e mãos no caule. As mãos são protegidas somente por um saco ou por um pano. em cima, além de se firmar, tem que pegar uma taquara de 5m (alcançada pelos ajudantes) e com ela empurrar as pinhas até cair. Maduras caem no chão e são recolhidas. As que debulham precisam ter os pinhões catados um por um.



Na temporada do pinhão (de dois a três meses) o sustento da família está garantido com a coleta. Em média são oito mil kg recolhidos e vendidos na beira de estrada, em armazéns. “Este ano nãobom, não vai passar de dois mil quilos”, comenta Selmiro. Além de retirar o pinhão das próprias terras, a família também faz acordo com outros proprietários de pinherais. “Esta é uma época perigosa. O pessoal vai entrando na terra dos outros e tirando pinhão sem permissão do dono. Então os donos nos chamam e pedem para tirar as pinhas. Fazemos uma partilha entre o proprietário e nós. E assim vamos passando a temporada”, fala Selmiro. Nego completa que nestas invasões, o pessoal rouba o pinhão, corta cerca e “mata animal. Não é uma época muito fácil”. Apesar de tudo Nego não pensa em largar a coleta de pinhão. “Aqui a genteem cima do que é nosso. Enquantopara viver bem, vamos ficando”. Os meninos, que ajudam são filhos, netos, amigos dos netos, e ficam no chão ajudando a catar os pinhões. Perguntados sobre a vontade de subir no pinheiro, eles riem e dizem que se aventuraram, mas que hoje ficam no chão. “É perigoso”, completa Nego. Outra regra é que em dia de chuva ninguém sobe em pinheiro. Se fica no galpão debulhando as pinhas, separando os pinhões e ensacando para vender.



Pinhão tem ano bom e ano ruim. Dizem que se num ano a produção é boa, no outro é o contrário. É o que se diz na região entre as pessoas. “Sempre se ouviu isto. Pai diz pra filho e assim por diante. Não sei qual é a explicação”, explica Selmiro. A família também cuida as mudas novas de araucárias. “No matoque nem inço. A gente nem mexe, é mais pinheiro no futuro. O primeiro pinheiro que plantei tem uns quinze anos e tá dando pinhão. Agora é sempre deixar uns no chão e a terra cuida de tudo.” A semente é uma espécie resistente, tolera até incêndios rasos em razão de sua casca grossa que faz papel de isolante térmico. A capacidade de germinação é alta e chega a 90% em pinhões recém-colhidos.
A família Trintin não tem visto derrubada de araucária. “A lei não deixa, né? louco vai cortar”, responde Selmiro. A preocupação desta família é coletar seu sustento entre subidas e descidas em pinheiros, num mato de barulhos tão diferentes dos habituais aos ouvidos urbanos. Em tempo de luzes rarefeitas e debulhas freqüentes.


A corrida


texto de Patrícia Soares Viale 
foto de Silvio Kronbauer.



Quando todos correrem por aquela estrada. Até mesmo você. Quando todos se perderem com a multidão que arranca para algum lugar. E dentre eles estiver você. Não sei mais o quê pedirei, sequer o quê gritarei. Deixarei meus dedos dedilharem o tempo. Um tempo que maltrata as sensações. Que melhora as lembranças. E afoga as mágoas.
Todos continuarão correndo, desacelerando, procurando. Na procura pelo par ideal, na procura por um mundo melhor. Na procura por si mesmo em olhos alheios.

Corre, meu bem. Não esquece os obstáculos. Não esquece os tropeços. Não esquece os soluços. Não esquece os beijos. Aqueles que ficaram na saudade.


Corre, meu bem. Todos correm naquela estrada. Somos eles, perdidos nesta escuridão. Escuridão que se chama “até amanhã”.

sábado, 18 de abril de 2015

Sobre morar numa APP... aliás, você sabe o que é uma APP?

Hoje eu tô chata. Acho que tô azeda, quase que de mal com a vida. Fui acordada neste sábado, de manhã com chuvinha fina, com um homem falando num microfone, com música. Levantei, cansada. Eu queria dormir mais. Paguei minhas contas da semana passada trabalhando. Fui dormir tarde todas as noites. Mas levantei e vi um monte de jipes Troller se preparando para uma saída de rallye. Chuva, friozinho e um rallye. Que bom para eles. Terão bastante lama como gostam. Daí iniciou um foguetório, preparado por um homem vestido com uma capa de chuva escura, na frente do Hotel Cavalinho Branco e Maria Rita acordou aos prantos, o cachorro do vizinho se assustou e fugiu, os quero queros gritaram (ou piaram alto demais). Ah! Esqueci de contar para vocês: sou vizinha do Hotel Cavalinho Branco e nós dois, eu e o hotel, estamos dentro de uma APP, Área de Preservação Permanente. O que é esta sigla? Pois é, este é o meu assunto de hoje.



Se vocês lerem o Código Florestal, Lei 12.651/12, tem o artigo quarto que define uma APP. O Lago São Bernardo se enquadra ali. Tá, mas o que é uma APP?

Art. 3o Para os efeitos desta Lei, entende-se por:
(...)

II - Área de Preservação Permanente - APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas;

Áreas de preservação permanente (APP), assim como as Unidades de Conservação, visam atender ao direito fundamental de todo brasileiro a um "meio ambiente ecologicamente equilibrado", conforme assegurado no art. 225 da Constituição. No entanto, seus enfoques são diversos: enquanto as UCs estabelecem o uso sustentável ou indireto de áreas preservadas, as APPs são áreas naturais intocáveis, com rígidos limites de exploração, ou seja, não é permitida a exploração econômica direta.

As atividades humanas, o crescimento demográfico e o crescimento econômico causam pressões ao meio ambiente, degradando-o. Desta forma, visando salvaguardar o meio ambiente e os recursos naturais existentes nas propriedades, o legislador instituiu no ordenamento jurídico, entre outros, uma área especialmente protegida, onde é proibido construir, plantar ou explorar atividade econômica, ainda que seja para assentar famílias assistidas por programas de colonização e reforma agrária.
Somente órgãos ambientais podem abrir exceção à restrição e autorizar o uso e até o desmatamento de área de preservação permanente rural ou urbana mas, para fazê-lo, devem comprovar as hipóteses de utilidade pública, interesse social do empreendimento ou baixo impacto ambiental (art. 8º da Lei 12.651/12).
As APPs se destinam a proteger solos e, principalmente, as matas ciliares. Este tipo de vegetação cumpre a função de proteger os rios e reservatórios de assoreamentos, evitar transformações negativas nos leitos, garantir o abastecimento dos lençóis freáticos e a preservação da vida aquática.


Bem, dá para entender que moradores de APP precisam colaborar e não prejudicar. Certo? Para alguns não é tão óbvio assim. Acham que ao fazermos exigências quanto ao cumprimento da lei estamos indo contra o progresso. EU NÃO SOU CONTRA O PROGRESSO!!! EU SOU CONTRA O ABUSO E O DESCUMPRIMENTO DAS LEIS!! O mundo é bem grande. Vivemos dentro de uma área de APP, se a pessoa não está gostando de cumprir regras, deveres, que tal se mudar? O mundo é bem grande. Tem áreas que permitem abusos. Mas no Lago São Bernardo não. 


Nós, moradores desta APP, estamos nos organizando, estudando legislação e iremos cobrar o cumprimento desta lei por parte de todos. É um trabalho que tem data para começar, mas não terá fim. Temos consciência disto, pois trabalhar com o ser humano é trabalho contínuo. Não seremos agressivos, como já foram conosco. Quem mora num lugar como o lago São Bernardo cultiva o amor e a paz, mas não iremos ficar quietos quando formos ameaçados ou vermos alguém que tenta defender o lago e sua natureza ser ameaçado. O LAGO SÃO BERNARDO É A ÁGUA, O SEU ENTORNO, OS PÁSSAROS, OS PEQUENOS ANIMAIS, A ENERGIA DE TRANQUILIDADE QUE AQUI HABITA. Nós resistimos, agora com mais discernimento, com o apoio da legislação e da justiça.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Vem aí o Festival de Docices e Delícias!!!

As fotos são do nosso artista Rafael França. É preciso sensibilidade e muito auto controle para fotografar estas delícias e não devorá-las!!! A boa notícia é que o Festival de Docices e Delícias voltará a acontecer, mas agora em Canela.

Moro em São Francisco de Paula há quase 10 anos e sempre tive dificuldade para trabalhar aqui, porque minha cabeça tá mais para vanguarda que tradição. Porém nunca desrespeitei a tradição local. Só achei que dava para conciliar e ao mesmo tempo, apresentar algo novo. Tal foi minha surpresa, em um ano realizando o Festival, constatar que nosso público é "de fora". Poucas pessoas de São Chico apareceram, prestigiaram. Noventa por cento do público veio Canela, Gramado, Taquara, Parobé, Novo Hamburgo, Caxias e Porto Alegre. Não consigo entender porque o pessoal de São Chico não vem em massa. Todos elogiam nossos trabalhos, mas no dia do evento poucos aparecem. Também surgiu uma obrigatoriedade dos Bombeiros, de um plano de prevenção de incêndio para lugares que recebam público. O valor do plano é inviável para uma empresária de pequeníssimo porte, como eu. Então percebi que não era mais possível fazer o Festival, aqui no espaço Universo Viale. 

Mas quando a ideia é boa, o Universo Maior conspira a favor. E assim surgiu uma conversa com os proprietários do Café Aroma Literário, Edel e Ronaldo, em Canela. Reunião realizada nos últimos dias e decidimos por levar o Festival para Canela. Dia 17 de maio, domingo, das 13h30min às 18h, terá Festival na avenida Osvaldo Aranha, 378, em Canela!!!! 

Então é botar na agenda e convidar os amigos!!!!!











segunda-feira, 13 de abril de 2015

Salvando vidas!!

Salvar vidas é mais fácil do que se imagina. Alguns destes eu adotei. Uns morreram. Outros estão vivos até hoje. Contribuí com dinheiro para os tratamentos. Ajudei na divulgação. Intermediei adoções. Faça algo. Sempre é possível fazer algo!! Experimente!























terça-feira, 7 de abril de 2015

Ficha desta moça

Biografia: jornalista , escritora, artesã e “coladora” e mãe. Comecei a colar em 2001, numa temporada na Suíça, quando conheci o movimento dadaísta, em Zurique. Interessada comecei a estudar por conta própria e passei a colar reaproveitando matérias, como papelão, papéis diversos, tecidos, miçangas, linhas tintas, lápis, etc. Hoje colo e escrevo sobre assuntos diversos. Eu adorava andar pelas ruas de Zurique nos dias de coleta de papelão. Daí eu passava antes do caminhão de recolhimento, examinava o material e se me agradasse levava para casa. Andava com uma pilha de papelão, debaixo do braço, no trem, e ninguém me olhava torto!!!!






Minha técnica: colagem de materiais diversos em papelão, tecido e papel. Pintura com tinta plástica. Bordado em ponto cruz no papelão, entre outras.


segunda-feira, 6 de abril de 2015

A vida e a colagem

A vida não é o que queremos que ela seja. A vida é autônoma. Não viemos para cá afim de realizar nossos desejos, mas viemos para aprendermos com nossos desejos e suas realizações, ou não. Já fui uma criatura bem pessimista, daquelas de praguejar. Mimada que queria "tudo do meu jeito". Claro que a própria vida foi me reeducando, mas acredito que a colagem tenha sido uma maneira de materializar este processo.









Meus trabalhos mudaram de fase. Já se ensaiaram em material nobre, aderiram ao popular... dançam conforme a música. Não existem regras impostas. Existe um pacto de boa convivência com o quê a vida traz. Em tempos de autoritarismo, hipocrisia e mascarados, a colagem vem como uma técnica que nos ajuda a desmontar o que existe, para recriar com o coração. Não custa tentar.