quarta-feira, 22 de julho de 2015

Plantar o umbigo

O que seria plantar o umbigo? Literalmente, plantei o umbigo seco da Maria Rita próximo a um pé de arruda, aqui em casa. Do meu não sei o que foi feito. Umbigo, no meu ponto de vista, tem uma relação muito próxima com o ego. Dois bandidos sedutores que flertam o tempo todo conosco e as ilusões. Uns queridos!!!! Então, lá em 1994, quando larguei Porto Alegre e vim para cá, vim pensando em plantar o umbigo por aqui. No sentido de fixar-me, de trabalhar por algo, de batalhar por um lugar. Já deu para perceber que não sei somente viver, né? Esta coisa de respirar, comer, defecar e toda uma rotina pré estabelecida não é comigo. Preciso de algo mais. Este ar que respiro precisa ter uma golfada emocionante!!! Eu gostava de Porto Alegre. Também gostei de Campinas. Não gostei de Caxias. Gostei de Zurique. Mas gostei ainda mais da Região das Hortênsias. Sou espaçosa, preciso de uma região toda para me estabelecer!!!!!!! Mas brincadeiras à parte, eu moro em São Francisco de Paula e aqui me sinto feliz. Uma vida tranquila. Não tem TUDO que eu gostaria de ter ao meu redor, mas Já TEM muita coisa que eu quero. Então plantei meu umbigo aqui. Talvez no futuro minha alma cigana me faça voltar a viajar, mas isto é uma outra postagem.


E hoje resolvi apresentar a Biblioteca Pública Municipal Elyseu Paglioli para a Maria Rita, que está em férias. A biblioteca fica numa casa, ali na avenida Julio de Castilhos, 726, perto da rodoviária. Lembrei dos meus tempos de jornalista em Canela. Eu esperava o horário do ônibus de volta para o Salto, onde morava, na biblioteca, fuçando livros, lendo trechos, escolhendo uma leitura para a viagem de volta para casa. Naquela época eu lia um livro por semana, às vezes dois.

Mas voltando à São Chico. Tenho um relato bem legal para vocês, que são leitores ou que ensaiam para serem leitores de livros. A biblioteca está sendo organizada pela Zô Andrade, uma amiga que ama livros. Ela é mãe de um amigão, o Andrei Andrade, jornalista no jornal Pioneiro, outro alucinado por livros. Existe uma raça muito louca no Planeta Terra: os loucos por livros! Estes seres são compulsivos por linhas, por prefácios e índices. Quando encontram um Álvares de Azevedo ou um Cortázar, quase enlouquecem!!!! E foi o que aconteceu hoje, na minha breve visita à biblioteca. Tive acesso de quase loucura ao me deparar com coleções inteiras de Machado de Assis. Encontrei um Quixote, com releitura de poesias de Drummond e ilustrações de Portinari. Fora o resto, fora o resto!!!!!!



Além de levar a Maria Rita para conhecer esta maravilha, levamos uma sacola com livros para doação. E acabei me oferecendo como voluntária da biblioteca para o que for necessário, PRINCIPALMENTE, catalogar e separar livros.




Então, gostaria de ver com vocês quem quer ajudar nesta também... quem tiver LIVRO BOM, DE LITERATURA, DE ARTE, TÉCNICO, EM BOM ESTADO e quiser doar, POR FAVOR!!!! A Biblioteca também agradece, com um abraço, livros infanto juvenis. Ah! Tem uma sala para os pequenos ficarem lendo e admirando as palavras, mas tá faltando um bom tapete e algumas almofadas. Quem topa ajudar????? 



Um livro não fará falta na sua biblioteca e ajudará toda uma legião de leitores. A Biblioteca Pública Elyseu Paglioli ficará tão charmosa e com tanto conteúdo, que daí você aproveita para fazer seu cadastro para empréstimo de livros. Que tal? Embarca nesta comigo?

sábado, 11 de julho de 2015

Escrever



Escrever é um pacto com a vida. É aceitar que a morte vem num ponto final. Escrever é enlouquecer e não ser levado para uma clínica psiquiátrica. Escrever é contestar, brigar, guerrear sem derramar sangue.



Calar os sentimentos dá câncer. Calar as vocações dá tristeza. Arregala os olhos e corre em busca do teu sonho. Seja ele quem for. Escreve ele. Palavra por palavra.



Avisa os amigos que chegaste para sonhar, que chegaste para voar. E voa na primeira estrofe.


Oficina Preparatória de Texto e Dramaturgia para a 5° Maratona de Monólogos de Canela, na noite 23 de junho de 2015. Uma noite fria, muito fria, que congelou meus medos e me liberou para voar.

crédito das fotos: Rafael França.