quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Ao poeta, que a mim nunca escreveu

A cabeça no travesseiro não sossega..



Por quantas liras tu me deixaste? Seriam trezentas, vinte ou apenas dezenas? Podes crer em amor quando existe dinheiro?

Nascemos fora de nosso próprio tempo: tu antes e eu após a tua morte.

Nada somos um para o outro, apenas esse amor que me queima, que me enlouquece, que me faz ver-te onde nada há de ti...

Onde estariam as liras nesse mundo cinzento, amargo e ambicioso?



Quem ainda escreve cartas de amor e as manda por um mensageiro?

Quem rouba beijos?

E quem ainda ousa acreditar em se ser somente um poeta, sem nada a ganhar ou a perder?

Nada somos um ao outro, somente esse amor cego e absurdo...