quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Sobre ser alguém... cri cri.

Tem dias que me sinto invisível. Não para mim, mas para os outros. E isto que sou do tamanho de um panda. Passo pelas pessoas, cumprimento e nem um sorriso de retorno. Sou solícita, solícita e a pessoa saí falando com uma terceira, que cruza o nosso caminho. Faço cara de panda, mas eu choro por dentro. Serei eu a mais chata, a mais inconveniente? Serei somente um poço de carência? Não consigo responder estas perguntas. Virei para a parede e fiquei quieta. Não chegam convites, não me chamam sequer para um cafezinho. Apesar de que eu não tomo café. Daí passei a criar situações para ter pessoas ao meu redor. Sou um bom panda. Tenho olhar bonzinho. E fui criando mais e mais situações. Tantas, que chegou num momento, em que eu estava perdida num labirinto, no meio de uma multidão. Saí à francesa. Preciso de silêncio. Preciso de horários e regrinhas básicas para bem viver. Preciso ter hora para acordar e hora para dormir. Preciso de um banho quente por dia e boa comida de três em três horas. Preciso ouvir os passarinhos pela manhã e silêncio à noite. Sou chata, chata, bem cri cri. Cri, cri, cri. Só não serrilho os dentes. Isto deixo para o alheio. Sou quase um panda.



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